Economia

Recorde no café: 67,6 mi de sacas e o detalhe que muda tudo…

Plantação de café brasileira com safra recorde de 67,6 milhões de sacas
Brasil colhe safra histórica de café com 67,6 milhões de sacas, impulsionada por clima favorável e manejo avançado.

O Brasil colheu 67,6 milhões de sacas de café na safra atual, um volume inédito na história do país. O número supera todas as projeções anteriores e redesenha o tabuleiro de preços para os próximos meses.

Não foi apenas a bienalidade positiva que empurrou a produção para cima. A combinação entre clima favorável e um manejo agressivo, financiado pelos bons preços das safras passadas, quebrou a barreira da produtividade média nacional.

O salto de produtividade que ninguém previu

A média nacional atingiu 34,6 sacas por hectare, alta de 14% frente ao ciclo anterior. Em regiões de ponta, como Roraima, o teto foi muito mais alto: 66,7 sacas por hectare. Goiás e Espírito Santo também surpreenderam, com 50,8 e 41,6 sacas, respectivamente.

Esse ganho não veio de graça. O produtor reinvestiu a margem extra em tecnologia, insumos e tratos culturais mais precisos. O resultado é uma lavoura mais densa e eficiente, capaz de sustentar volumes altos mesmo em anos de bienalidade negativa no futuro.

Arábica puxa a fila; conilon dá sinais de alerta

A divisão entre as variedades revela realidades distintas. O café arábica, carro-chefe das exportações brasileiras, disparou 35%, totalizando 48,2 milhões de sacas. Minas Gerais, sozinho, respondeu por 35,6 milhões de sacas, um avanço de 38,2% impulsionado por uma granação excepcional.

Já o conilon, onde o Brasil é o segundo maior produtor global, recuou 6,6% para 19,4 milhões de sacas. O Espírito Santo, principal estado produtor dessa variedade, sofreu com uma florada irregular que derrubou a safra em 5,4%.

  • Produção total: 67,6 milhões de sacas (recorde histórico)
  • Arábica: 48,2 mi de sacas (+35%)
  • Conilon: 19,4 mi de sacas (-6,6%)
  • Área em produção: 1,95 mi de hectares (+5,1%)
  • Produtividade média: 34,6 sacas/ha (+14%)

O vazio nos estoques globais sustenta o preço

Mas o volume recorde não significa pressão de baixa imediata. O mundo consome mais do que produz há anos. Os estoques globais caíram de 37,5 milhões de sacas em 2021/22 para cerca de 22 milhões na safra 2025/26, segundo dados do USDA.

Países importadores estão recomprando ativamente para recompor reservas. A demanda vem de mercados tradicionais — Europa e EUA — e avança forte na China, novo vetor de consumo que absorve volumes crescentes de arábica e solúvel.

O que observar daqui para frente

A produção mundial deve subir 6,1% para 190 milhões de sacas, enquanto o consumo cresce 3,6%, atingindo 180 milhões. O déficit estrutural segue existindo, o que mantém o piso de preços elevado.

Para o empresário do setor, o sinal claro é: a janela de margem alta permanece aberta, mas a gestão de risco climático virou prioridade absoluta. A próxima bienalidade negativa, somada a eventuais secas ou geadas, pode inverter a lógica de oferta rapidamente. Monitorar a formação da nova safra em Minas e o clima no Vietnã será decisivo para travar posições no mercado futuro.