A governadora Raquel Lyra (PSD) colocou na mesa uma aposta alta: transformar Pernambuco em destino obrigatório para gigantes globais de tecnologia. A promessa foi feita durante encontro com a Associação de Empresas de Tecnologia de Pernambuco (Aponti), no Recife, e sinaliza uma mudança de patamar na estratégia econômica do estado.
O que está em jogo não é apenas discurso de campanha. Há números concretos por trás da narrativa.
O alicerce de R$ 1 bilhão
No primeiro mandato, o governo destinou R$ 1 bilhão ao programa Inova PE — o maior aporte da história estadual em ciência, pesquisa e inovação. O recurso irrigou a expansão do Porto Digital, que hoje pulsa não só na capital, mas em múltiplas regiões pernambucanas.
Startups foram fomentadas. Infraestrutura foi montada. O ecossistema amadureceu.
O salto para o mercado global
A nova fase mira algo mais ambicioso: atrair corporações multinacionais que buscam base na América Latina. A leitura do Palácio do Campo das Princesas é clara — o terreno está preparado. Falta fechar os contratos.
Para o empresariado local, a equação tem variáveis atraentes:
- Mão de obra qualificada formando nas universidades estaduais e federais
- Custo operacional inferior a São Paulo e polos internacionais
- Incentivos fiscais e regulatórios já desenhados
- Logística portuária e aeroportuária em expansão
O que muda na prática para quem investe
Se a promessa se concretizar, o impacto cascateia. Escritórios de grandes players trazem contratos de serviço, demanda por talentos sêniores, transferência de tecnologia e — o mais valioso — efeito vitrine para outros investidores.
O Porto Digital, hoje com mais de 300 empresas e 15 mil profissionais, funcionaria como porta de entrada e âncora de retenção.
O calendário político e a execução
A agenda de quinta-feira (24) incluiu ainda caminhada em Goiana, na Zona da Mata Norte — região que abriga polo automotivo e farmacêutico e agora mira diversificação tech. O movimento sinaliza que a estratégia não se limita à Região Metropolitana.
Mas a implementação depende de variáveis que extrapolam o palanque: aprovação legislativa para incentivos, continuidade de editais de fomento, articulação com o governo federal para bandeiras de atração de investimento estrangeiro.
O que observar nos próximos meses
Três indicadores dirão se a promessa vira política de Estado: volume de protocolos de intenção assinados com multinacionais, evolução dos editais do Inova PE 2.0 e, principalmente, geração líquida de empregos de alta qualificação no setor. O histórico recente mostra capacidade de execução. A escala agora pretendida, porém, exige salto de gestão e articulação institucional.
Para quem decide onde alocar capital ou talento nos próximos anos, Pernambuco entrou no radar com credenciais técnicas — não apenas slogans.
