Em Uberaba, 76% dos negócios já marcaram presença no digital, porém apenas 20% conseguem transformar cliques em faturamento real. A lacuna entre “ter perfil” e “vender todo dia” é o motor por trás da primeira ExpoCommerce do interior mineiro, marcada para 26 de setembro no Parque Tecnológico.
O evento nasce para encurtar essa distância com estrutura de capital: palco de 70 m² de painel LED, praça de alimentação e uma grade de conteúdo desenhada para quem fatura — ou quer faturar — no e-commerce.
Nomes que movem bilhões no digital
A curadoria trouxe executivos que operam na ponta da lança do varejo nacional. Não são teóricos; são gestores de escala.
- Thiago Farhat (Shein): líder de parcerias do marketplace que redefiniu logística e preço no Brasil.
- Day Ortega: fundadora da marca própria de calçados, case de esgotar estoque em horas.
- Márcio Tristão (Sankhya): 25 anos de inovação em ERP e gestão de negócios digitais.
- Pedro Fonseca (Tray): gerente de marketing da plataforma que roda milhares de lojas virtuais.
Juntos, eles cobrem a esteira completa: aquisição de tráfego, conversão, gestão de backoffice e expansão em marketplaces.
O abismo dos dados e a juventude que vem aí
William Brito, diretor regional do Sebrae Minas, trouxe o choque de realidade na apresentação do evento. O diagnóstico é cirúrgico: a maioria das empresas digitalizou a vitrine, mas não a operação de vendas.
O recorte geracional acelera a urgência. Hoje, consumidores de 18 a 24 anos representam 10% do poder de compra. Em uma década, serão metade do mercado. Quem não fala a língua nativa desse público — conteúdo, velocidade, prova social — sai do jogo antes mesmo de entrar.
Uberaba no centro do tabuleiro logístico
“Seu concorrente está no bolso do seu cliente”, resumiu Raphael Simões, da RS Soluções Digitais e idealizador técnico da feira. A provocação vem com lastro: a empresa já opera entrega em 24 horas na cidade.
A geografia joga a favor. Localizada no centro do País, Uberaba tem potencial para se tornar hub de distribuição para e-commerces de todo o Brasil. A tese defendida pelos organizadores é simples: nunca foi tão barato e tecnicamente simples vender online; o que falta é método e coragem para executar.
Instituições alinhadas e reforma tributária no radar
A união entre CDL, Prefeitura e Sebrae sinaliza que o poder público entendeu o recado. O secretário Celso Neto reforçou que iniciativas público-privadas deixaram de ser opcionais para virar estratégia de sobrevivência econômica local.
Lourival Ferreira da Costa, presidente da CDL, defende o modelo híbrido: loja física como base de confiança e estoque, canais digitais como motor de alcance. A influenciadora Marina Cadelca completou alertando que métricas de vaidade não pagam contas — comunicação real com o consumidor final é o novo ativo.
Britó, do Sebrae, ainda jogou luz sobre um ponto cego: os efeitos da reforma tributária sobre o comércio eletrônico. A mudança na tributação do consumo deve impactar diretamente a precificação e a logística interestadual nos próximos anos.
O que observar daqui para frente
O ingresso está à venda na Ingresso Live e o evento roga das 8h às 17h no CDL Hall (Av. Randolfo Borges Júnior, 2771). Para o empresário que ficou até aqui, a ação prática é uma só: leve o time de marketing e operações. O conteúdo técnico de Farhat (marketplaces), Tristão (gestão/ERP) e Fonseca (plataforma) resolve dúvidas que travam o faturamento hoje.
Fique atento ao calendário da reforma tributária e ao envelhecimento da base de consumidores digital. Daqui a dez anos, o público que hoje tem 18 anos será o decisor majoritário. Quem estruturar a operação agora — logística, tecnologia, conteúdo — captura esse valor. Quem esperar, apenas assiste.
