Pesquisa Quaest divulgada nesta segunda-feira (21) coloca Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) em um empate técnico na liderança da rejeição eleitoral: 55% e 56%, respectivamente. O cenário revela um eleitorado profundamente polarizado, onde a maioria absoluta declara não votar nos dois principais nomes da direita e da esquerda de jeito nenhum. Mas o dado que realmente importa para quem analisa risco político está nos bastidores da sucessão.
O empate que paralisa o tabuleiro 2026
Os números mostram estabilidade total em relação ao levantamento anterior. Flávio oscilou um ponto para cima (55% para 56%), enquanto Lula travou nos 55%. Para o mercado e estrategistas, isso sinaliza teto de rejeição consolidado para as duas maiores forças políticas do país.
Na prática, significa que qualquer candidatura majoritária ligada a esses polos nasce com mais da metade do eleitorado fechado. Isso força partidos e investidores a calcularem o custo de oportunidade de apostar em nomes com “teto de vidro” tão baixo.
Quem surge no vácuo da polarização?
Enquanto os dois líderes travam a disputa pelo posto de “mais rejeitado”, uma fila de alternativas tenta ocupar o centro. Romeu Zema (Novo) aparece com 43% de rejeição, seguido por Ronaldo Caiado (PSD) com 40%.
A distância para a dupla da ponta ainda é considerável — cerca de 15 pontos percentuais. Porém, a tendência de alta na rejeição de Zema (subiu de 40% para 43%) acende um alerta: o espaço de “terceira via” também sofre erosão.
- Flávio Bolsonaro (PL): 56% (era 55%)
- Lula (PT): 55% (era 55%)
- Romeu Zema (Novo): 43% (era 40%)
- Ronaldo Caiado (PSD): 40% (era 42%)
- Renan Santos (Missão): 35% (era 30%)
- Augusto Cury (Avante): 28% (era 26%)
O efeito nos cenários de primeiro e segundo turno
A rejeição alta não impede a competitividade nas urnas. No cenário de primeiro turno testado pela Quaest, Lula lidera com 37% contra 33% de Flávio. Já na simulação de segundo turno, o placar inverte: Flávio marca 42% contra 41% do petista — empate técnico dentro da margem de erro.
Esse desenho confirma a hipótese de “dois polos, um país dividido”. Quem vence não é quem convence a maioria, mas quem mobiliza melhor a própria base e assusta menos o centro. A aprovação do governo Lula, hoje em 44% contra 50% de desaprovação, reforça esse equilíbrio instável.
O que observar daqui para frente
O dado crucial para os próximos trimestres não é a oscilação decimal dos líderes, mas a velocidade de crescimento da rejeição aos “novos nomes”. Zema subiu 3 pontos; Renan Santos saltou 5 pontos (30% para 35%).
Se a curva de rejeição dos alternativos acelerar, o custo de construir uma candidatura viável fora da polarização Lula-Bolsonaro dispara. Para quem aloca capital político ou financeiro no ciclo 2026, o monitoramento semanal desses índices de “não voto” passa a ser indicador antecedente mais confiável do que intenção de voto bruta.
