Seis candidatos a governador ocuparam as ruas da Bahia neste sábado (19), mas a geografia de cada agenda revela muito mais do que simples compromissos públicos. Enquanto uns priorizam a densidade eleitoral da capital e região metropolitana, outros apostam fichas no interior profundo. O tabuleiro de 2026 começou a ser desenhado.
Os dois polos da disputa majoritária
ACM Neto (União Brasil) e Jerônimo Rodrigues (PT) protagonizaram as agendas mais extensas do dia, sinalizando estratégias opostas de ocupação territorial. Neto concentrou a manhã em Cajazeiras, bairro populoso de Salvador, migrou para Dias D’Ávila na RMS à tarde e encerrou a noite com comício em Campo Formoso, no Norte do estado.
Jerônimo, por sua vez, cruzou a Bahia de ponta a ponta: caminhada em Vitória da Conquista (Sudoeste) pela manhã, carreata em Porto Seguro (Extremo Sul) à tarde e novo ato em Santa Maria da Vitória (Oeste) à noite. A logística exige estrutura pesada e sinaliza onde cada lado enxerga risco ou oportunidade.
A lógica por trás dos deslocamentos
O roteiro de Neto sugere dupla prioridade: blindar a base na Região Metropolitana — onde Cajazeiras e Dias D’Ávila somam eleitorado expressivo — e testar força no Norte baiano, reduto histórico de disputas acirradas. Já o governador aposta na manutenção do domínio petista no Sudoeste e Oeste, ao mesmo tempo em que marca presença no polo turístico do Extremo Sul.
Essa geografia não é aleatória. Cada deslocamento consome tempo, o recurso mais escasso em campanha. A escolha das cidades funciona como termômetro das pesquisas internas que o público não vê.
Candidatos de nicho e a batalha pela visibilidade
Longe da polarização, as chapas menores buscaram espaços específicos para furar o bloqueio midiático:
- Aroldo Félix (UP): panfletagem no Mercado Municipal de Itapuã, em Salvador, focando no comércio popular da manhã.
- Maria Bona (PCO): agenda institucional com gravação de entrevista na Rede Bahia e reunião virtual com a direção nacional.
- Ariel Capistrano (DC): dividiu o dia entre Candeias (RMS) e o bairro da Boca do Rio, na capital.
- Ronaldo Mansur (PSOL): panfletagem em Nordestina, no Norte do estado, miranda em bases sindicais e movimentos sociais rurais.
O que observar nas próximas semanas
O sábado serviu como radiografia preliminar. A tendência é que fins de semana e feriados concentrem os grandes deslocamentos, enquanto dias úteis reservem agendas de bastidor e gravações. O eleitor atento deve monitorar se Neto intensifica a presença no interior ou se Jerônimo reforça a capital — movimentos que costumam anteceder mudanças nas intenções de voto.
Outro ponto crítico: a capacidade de logística das campanhas menores. Manter ritmo de viagem estadual sem estrutura partidária robusta costuma ditar a sobrevivência ou o esvaziamento dessas candidaturas antes do horário eleitoral gratuito.
Por ora, o mapa está posto. As próximas agendas dirão se a estratégia se mantém ou se há correção de rota.
