O sistema de saúde brasileiro queima entre R$ 240 bilhões e R$ 360 bilhões por ano — um desperdício que supera o orçamento anual de muitos ministérios. O número está no documento “Os 5 Inegociáveis da Saúde”, entregue a assessores de campanhas presidenciais em setembro na Fiesp. A conta final cai no colo de empresas, contribuintes e pacientes.
De onde sai esse dinheiro?
O estudo, assinado pela Fesaúde e pelo SindHosp, aplicou parâmetros da OCDE ao gasto nacional. A maior fatia do prejuízo — entre R$ 100 bilhões e R$ 150 bilhões — vem de três frentes: uso inadequado de tecnologias, compras ineficientes e falhas operacionais nos serviços.
Na prática, isso se traduz em:
- Exames e procedimentos desnecessários
- Cuidados de baixo valor clínico
- Eventos adversos evitáveis
- Tratamentos diferentes para casos semelhantes
Somados, esses itens consomem entre R$ 89 bilhões e R$ 133 bilhões anuais.
Fraude, burocracia e judicialização: a conta oculta
Outro bloco relevante — R$ 51 bilhões a R$ 77 bilhões — escorre por fraudes, corrupção, judicialização evitável, abusos e burocracia excessiva. São recursos que não geram nenhum atendimento, apenas alimentam um sistema de intermediação caro e ineficiente.
O setor de saúde movimenta R$ 1,19 trilhão por ano, o equivalente a 9,4% do PIB. Cada ponto percentual de desperdício representa bilhões que poderiam expandir acesso ou reduzir custos para operadoras e empregadores.
O que dá para recuperar já
Uma redução de apenas 20% no desperdício potencial liberaria entre R$ 48 bilhões e R$ 72 bilhões por ano. Para colocar em perspectiva: esse valor supera o orçamento anual do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.
Um gargalo concreto: exames de imagem e laboratoriais repetidos por falta de compartilhamento de resultados entre o SUS e a saúde suplementar custam entre R$ 15 bilhões e R$ 25 bilhões anuais. A infraestrutura tecnológica para evitar isso já existe — falta integração e vontade política.
O que observar daqui para frente
O documento foi apresentado a assessores de campanhas presidenciais, sinalizando que o tema deve entrar na agenda de 2026. Para empresários e gestores de benefícios, três sinais merecem atenção: propostas de prontuário eletrônico unificado, regras mais duras para autorização de procedimentos de alto custo e mecanismos de auditoria baseados em dados — não em burocracia papel. Quem antecipar essas mudanças ganha margem; quem esperar paga a conta.
