Economia

Selic a 11,25% em 2027: o segredo das ações que o BofA aposta agora

Gráfico projeta Selic a 11,25% em 2027 com logo do Bank of America e bandeira do Brasil
BofA revisa Selic para 11,25% no fim de 2027, sinalizando ciclo de cortes mais profundo.

O Bank of America projeta a taxa Selic caindo a 11,25% até o fim de 2027, bem abaixo das estimativas anteriores. A revisão abre espaço para um ciclo de cortes mais longo e profundo do que o mercado precifica hoje. Quem se posicionar cedo nos setores certos pode capturar uma valorização relevante nos próximos anos.

A projeção anterior do banco para o fim de 2027 era de 13,75%. A nova visão reflete uma combinação de atividade econômica mais fraca, inflação sob controle e crédito expandindo em ritmo menor. Para 2026, a expectativa também recuou: de 13,75% para 13,25%.

Por que a aposta recai nos “bond proxies”

Em cenários de juros caindo, empresas com fluxos de caixa previsíveis e alta sensibilidade à taxa de curto prazo tendem a brilhar. O BofA classifica esses ativos como bond proxies — ações que se comportam de forma semelhante a títulos de renda fixa, mas com potencial de valorização de capital.

A lógica é direta: quanto menor o juro, maior o valor presente dos fluxos futuros. Setores regulados (energia, saneamento, rodovias) e imobiliários (shoppings) concentram as principais oportunidades identificadas pelo banco.

Energia: Equatorial no topo, Axia e ISA como alternativas

A Equatorial (EQTL3) é a favorita do banco entre utilities. A ação combina alta sensibilidade à Selic de curto prazo com uma Taxa Interna de Retorno (TIR) real estimada em 12%. Dois catalisadores extras podem impulsionar o papel: aquisições no segmento de distribuição e avanços regulatórios favoráveis.

Para perfis distintos, o BofA destaca outras duas opções:

  • Axia (AXIA3): maior beta da cobertura, funcionando tanto em risco quanto em defensiva. Dividend yield projetado entre 11% e 15% para 2026/2027.
  • ISA Energia (ISAE4): escolha defensiva principal. TIR real de 10% e potencial de alta superior a 15% se a questão previdenciária for resolvida.

Rodovias: Ecorodovias lidera retorno, Motiva traz segurança

No setor de infraestrutura rodoviária, a preferência recai sobre Ecorodovias (ECOR3) e Motiva (MOTV3), em detrimento da Rumo (RAIL3). A Ecorodovias apresenta a maior TIR real entre as bond proxies analisadas: aproximadamente 17%.

Se os cortes de juros forem mais agressivos ou rápidos que o esperado, o papel tem espaço para superar o setor. Já a Motiva atua como alternativa defensiva, com TIR real de 11% e gatilhos ligados a reequilíbrios contratuais. A Rumo, com TIR de 9,7%, depende de uma recuperação incerta no ciclo de grãos.

Shoppings: Allos carrega a bandeira, mas com ressalvas

A Allos (ALOS3) é a principal escolha do banco no varejo imobiliário, negociando a 9 vezes o P/FFO estimado para 2027 e com dividend yield projetado de 13%. A previsibilidade dos resultados é o grande trunfo.

O contraponto: tendências operacionais recentes mais fracas limitam o espaço para uma reprecificação expressiva no curto prazo. O setor como um todo mostra TIRs menos atrativas que utilities e rodovias.

Telecom: Vivo e TIM seguem fora do radar de compra

Mesmo após correções recentes, Vivo (VIVT3) e TIM (TIMS3) não entram na lista de favoritas. As TIRs implícitas — 9,2% e 8,9%, respectivamente — ficam abaixo do oferecido por outras sensíveis a juros.

O único alívio possível viria de uma melhora no ambiente competitivo ou da manutenção dos múltiplos atuais (próximos a 4x EV/Ebitda) como piso de valuation, especialmente para o investidor estrangeiro.

O que observar daqui para frente

O calendário do Copom e a trajetória da inflação de serviços ditarão o ritmo real dos cortes. Se a desaceleração da atividade se confirmar mais forte que o esperado, o ciclo pode ser antecipado — beneficiando justamente os nomes com maior duration e alavancagem regulada. Acompanhe as atas do BC e os dados de crédito livre: são eles que validarão ou não o cenário de 11,25% em 2027.