As ações da Tesla e da SpaceX caíram mais de 5% nesta quarta-feira (4), punindo o bilionário que apostou quase meio bilhão de dólares em candidatos republicanos no Texas. O resultado das urnas virou o jogo contra o homem mais rico do mundo.
Enquanto os democratas assumiam o controle do Congresso e elegiam a primeira governadora do Texas em 30 anos, Musk via seu império empresarial entrar na mira de uma nova liderança estadual hostil. A pergunta que fica: até onde vai o revés regulatório?
O preço da aposta política
Elon Musk destinou aproximadamente US$ 500 milhões (R$ 2,74 bilhões) para manter o Texas sob domínio republicano. O estado abriga a fábrica da Tesla, as operações da SpaceX e um projeto conjunto de fabricação de chips.
A estratégia falhou. Gina Hinojosa derrotou Greg Abbott pelo governo estadual, e James Talarico venceu Ken Paxton no Senado, segundo projeções da imprensa local. Os papéis da Tesla chegaram a recuar 6,13%; os da SpaceX, 5,78%.
Por volta das 13h (horário de Brasília), as perdas eram de 3,49% e 3,73%, respectivamente. O mercado precificou o risco político antes mesmo do fim da apuração.
Data centers: o novo campo de batalha
O ponto mais sensível para o futuro das empresas de Musk não é ideológico — é infraestrutura. A SpaceX apresentou a investidores um mercado endereçável de US$ 28,5 trilhões (R$ 156,12 bilhões) em data centers para IA, essencial para seu plano de IPO.
Hinojosa já defende moratória imediata para novos data centers no Texas. Quer suspender projetos até que haja proteção para comunidades locais e fim dos incentivos fiscais que, segundo ela, foram “vendidos” ao bilionário.
O que está em jogo para a SpaceX:
- Expansão de 1,7 GW para 3 GW até dezembro
- Meta de 13 GW em 2025
- Receita do aluguel de capacidade para clientes como Anthropic
- Primeiro lucro como empresa de capital aberto
Qualquer atraso nas aprovações compromete metas de receita e assusta investidores já receosos com custos de infraestrutura de IA.
Escrutínio federal se aproxima
O revés no Texas não é isolado. Robert Garcia, futuro presidente do Comitê de Supervisão da Câmara, mandou recado direto a republicanos e aliados: “Procurem advogados”.
Parlamentares democratas prometem investigar contratos governamentais, subsídios e as restrições às comunicações por satélite usadas pela Ucrânia. A gestão de Musk no Departamento de Eficiência Governamental (Doge) também entra na mira.
Jake Dollarhide, CEO da Longbow Asset Management, resume: “Uma vitória democrata completa pressionaria o setor de tecnologia e imporia pressão regulatória sobre tudo o que envolve IA, possivelmente desacelerando os números de crescimento que consideramos garantidos”.
O contraponto: big techs sobem
Enquanto Tesla e SpaceX sangravam, Amazon saltou 7,1%, Alphabet subiu 3,4% e Meta avançou 1,6%. O mercado separou o risco político concentrado em Musk da exposição mais diversificada das demais gigantes.
Musk, por sua vez, apagou o apelo feito no dia da eleição para que seguidores votassem nos republicanos. No X, ironizou: “Data centers no espaço parecem bem atraentes neste momento” — referência ao plano orbital da SpaceX, ainda longe da viabilidade técnica.
O que observar daqui para frente
Três frentes definem o próximo trimestre: a velocidade com que Hinojosa transforma promessas de campanha em barreiras regulatórias no Texas; a intensidade das investigações federais anunciadas por Garcia; e a capacidade da SpaceX de entregar a expansão de 13 GW sem depender exclusivamente de aprovações estaduais.
O bilionário costuma transformar obstáculos em pivôs tecnológicos. Desta vez, o adversário tem caneta, voto e tempo de mandato. O xadrez mudou de tabuleiro.
