O Ministério da Gestão projeta entre 2.000 e 3.000 vagas para a edição 2027 do Concurso Nacional Unificado. Tudo depende, porém, de uma única votação no Congresso Nacional que ainda não tem data para acontecer.
O sinal verde veio com a divulgação do Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2025. O texto reserva recursos expressivos para recompor o funcionalismo, mas a execução segue travada até a aprovação final dos parlamentares.
O orçamento por trás dos números
O PLOA enviado ao Legislativo prevê R$ 1,3 bilhão para novas contratações no Executivo federal e mais R$ 1,2 bilhão para instituições federais de ensino. Na soma geral, o governo mapeou 53.530 postos — entre vagas novas e nomeações de aprovados em certames anteriores.
Desse total, a fatia destinada ao “Enem dos Concursos” em 2027 representa a manutenção do modelo bienal. A pasta reforça que, sem o aval do Congresso para o espaço fiscal, o edital não sai do papel.
- R$ 2,5 bi reservados para provimento de pessoal no próximo ciclo;
- 53,5 mil vagas totais mapeadas (novas + cadastro de aprovados);
- 2 a 3 mil vagas projetadas exclusivamente para o CNU 2027.
Por que a organização mudou de mãos
Desde 2025, a Escola Nacional de Administração Pública (Enap) assumiu a coordenação técnica do certame. Antes, a execução era terceirizada — a Cesgranrio tocou a estreia em 2024. A internalização visa reduzir custos e padronizar a metodologia a cada dois anos.
A ministra Esther Dweck já sinalizou que a intenção é manter a Enap como executora fixa, enquanto o MGI atua na governança e monitoramento da política de pessoal. A mudança também facilita a replicação do modelo por estados e municípios.
Segurança reforçada após golpe de 2024
A edição de 2025 expôs uma quadrilha que tentou fraudar a prova do ano anterior. A investigação conjunta da Polícia Federal e do MPF resultou em um aparato de segurança que deve virar padrão:
- Coleta de biometria e exame grafológico na entrada;
- Detectores de metais em todas as salas;
- Esquema integrado com Força Nacional, PRF, PF e Abin;
- Proibição de saída com caderno de questões (regra alterada em 2024).
Em 2024, foram 2,1 milhões de inscritos para 6.640 vagas em 228 cidades. No ano passado, o número caiu para 761,5 mil candidatos disputando 3.652 postos em 32 órgãos — queda esperada pela periodicidade bienal e pela ausência de edição em 2026, ano eleitoral.
O que define se o edital sai mesmo
O calendaro agora tem dois gatilhos principais. Primeiro, a aprovação da Lei Orçamentária pelo Congresso — sem ela, não há lastro fiscal para nomeações. Segundo, a adesão de entes subnacionais: o MGI já negocia com o Consad (conselho de secretários estaduais de administração) para expandir o CNU para redes estaduais e municipais, usando a Enap como motor operacional.
Para o candidato, a leitura prática é clara: a janela de 2027 existe no planejamento, mas o “sim” final sai do plenário. Acompanhar a tramitação do PLOA no segundo semestre é o termômetro mais confiável para decidir se vale manter os estudos em ritmo de edital iminente.
