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Telegram Android: Atenda a Chamada e Perca o Controle do Celular

Smartphone Android exibindo tela de chamada do Telegram com alerta de vulnerabilidade crítica de segurança
Falha no Telegram para Android permitia controle total do dispositivo ao atender chamada de voz.

Uma falha crítica no Telegram para Android permitia que invasores assumissem o controle total do aparelho apenas quando a vítima atendia uma ligação de voz. O problema, já corrigido na versão 12.10.4, expôs usuários por mais de quatro anos.

A vulnerabilidade foi descoberta pela empresa de segurança NebuSec e dispensava qualquer interação complexa: bastava atender o telefone. O código malicioso era executado instantaneamente, tirando o usuário do aplicativo e expondo a tela inicial do dispositivo.

Como o ataque acontecia na prática

O erro residia no processamento de mensagens internas usadas para configurar o estado da chamada. Quando um pacote de dados chegava incompleto — sem todos os campos esperados —, o acessava uma região de memória de forma indevida.

Essa falha de lógica abria brecha para a execução remota de código (RCE). Em demonstração pública, a NebuSec mostrou o celular saindo do Telegram automaticamente e exibindo a mensagem “HACKED BY NEBUSEC” na tela inicial, provando o controle total do sistema operacional.

O vetor de ataque exigia apenas que o agressor tivesse uma conta comum na plataforma. Não era necessário vínculo prévio com a vítima nem engenharia social elaborada.

Seu aparelho está na lista de risco?

A brecha afetava todas as versões do Telegram para Android lançadas entre março de 2022 (versão 8.6.2) e setembro de 2026 (versão 12.10.3). Se você não atualizou o aplicativo nas últimas semanas, seu dispositivo pode ter ficado exposto durante todo esse período.

  • Versões vulneráveis: 8.6.2 até 12.10.3
  • Versão segura: 12.10.4 ou superior
  • Arquitetura confirmada: Processadores ARM64 (padrão na grande maioria dos smartphones atuais)

Para verificar, abra Configurações no Telegram e role até o final da página. O número da versão instalada aparece no rodapé.

iOS, Desktop e chamadas em grupo: há perigo?

Segundo a NebuSec, não há evidências de que a falha afete diretamente o Telegram para iPhone (iOS), a versão para computador ou chamadas em grupo. Embora esses aplicativos compartilhem a mesma biblioteca de chamadas de voz e vídeo, a correção já havia sido aplicada nos códigos do iOS e Desktop antes de chegar ao Android.

Isso sugere que a janela de exploração ativa foi específica para o cliente Android, possivelmente devido a particularidades na implementação da biblioteca nesse sistema operacional.

Descoberta por inteligência artificial e o que vem agora

Um detalhe chama a atenção: a NebuSec creditou o uso do GPT-5.4 como parte do processo de descoberta e análise da vulnerabilidade, transformando um “modelo dinossauro” em ferramenta de caça a falhas. Até 29 de outubro, a falha ainda não possuía identificador CVE oficial.

O Telegram e a NebuSec foram questionados sobre a existência de ataques reais explorando essa brecha antes do patch, mas não houve confirmação pública até o momento.

O que observar daqui para frente

A atualização para a versão 12.10.4 é obrigatória e urgente. Diferente de golpes que dependem de cliques em links ou download de arquivos, esta falha era acionada passivamente ao atender o telefone — um vetor quase impossível de ser evitado pelo comportamento do usuário.

Mantenha as atualizações automáticas da Play Store ativadas e monitore comunicados oficiais do Telegram. Falhas de execução remota de código em aplicativos de mensagens massivos tendem a ser alvo prioritário de grupos de espionagem e crime organizado nas semanas seguintes à divulgação técnica.