Petrobras fechou o terceiro trimestre com produção recorde de 3,51 milhões de boe/d, mas o mercado está de olho mesmo no cheque de US$ 3,6 bilhões que deve cair na conta dos acionistas. A queda do Brent freou o EBITDA, mas o pré-sal não parou de crescer.
O motor do pré-sal não esfriou
A estatal produziu 2,83 milhões de barris de petróleo por dia entre julho e setembro, alta de 12% em um ano. O volume total de óleo, gás e LGN superou em 5% o trimestre anterior, consolidando o melhor desempenho da história da companhia.
Três plataformas explicam o salto: P-78 e P-79 em Búzios, além de Alexandre de Gusmão em Mero, que já opera no pico. Juntas, empurraram a fatia do pré-sal para 2,45 milhões de bpd — crescimento de 16% na comparação anual.
Para o Bradesco BBI, a produção acumulada em nove meses já ultrapassa o ponto médio do plano estratégico da própria petroleira. Em resumo: a empresa está entregando mais do que prometeu.
Brent cai, EBITDA sente, mas caixa segura o dividendo
O preço médio do Brent recuou 8% no período, para US$ 96,8 o barril. Resultado: o consenso de mercado projeta EBITDA entre US$ 16,6 bilhões (Goldman Sachs) e US$ 18 bilhões (Bradesco BBI), abaixo dos US$ 19 bilhões do 2T26.
Mesmo assim, as casas mantêm projeções generosas de proventos:
- XP Investimentos: US$ 3,6 bi (yield trimestral de 2,6%)
- Bradesco BBI: ~US$ 3,5 bi
- Goldman Sachs: ~US$ 3 bi
A diferença? A entrada de créditos de subsídios de combustíveis de trimestres passados alivia o fluxo de caixa, compensando a commodity mais barata.
O “estoque invisível” que turbinará o 4T26
Um detalhe técnico passa despercebido: 140 mil barris/dia ficaram em trânsito no fim de setembro. Esses volumes entram no balanço apenas no quarto trimestre, inchando a receita do período.
Some-se a isso a continuidade do ramp-up das novas unidades e preços realizados potencialmente mais favoráveis. A leitura do BBI é clara: o 4T26 tem tudo para ser mais forte que o recém-encerrado.
O que os grandes bancos estão sinalizando
O otimismo não se resume a dividendos imediatos. Confira os alvos de preço atuais:
- Goldman Sachs (Compra): R$ 58,50 (PETR4) | R$ 62,60 (PETR3) — vê yield de até 18% em 2027.
- Morgan Stanley (Overweight ADR): US$ 31 — acredita que o mercado ainda subestima o crescimento do pré-sal.
O que observar daqui para frente
Dois gatilhos ditam o próximo movimento: a curva do Brent nos próximos 60 dias e a velocidade de escoamento dos 140 mil bpd em trânsito. Se o petróleo segurar acima de US$ 90 e a logística fluir, a combinação de volume recorde + dividendos crescentes pode reclassificar o ativo para patamares de valuation ainda não precificados. Mantenha o radar ligado nos relatórios de produção mensal da ANP — eles antecipam o tom do próximo balanço.
