Justiça

Flamengo perde recurso na Conmebol e Estudiantes confirma vaga na final da Libertadores

Marcos Rojo com camisa do Estudiantes e logotipo da Conmebol, representando disputa jurídica da Libertadores
Conmebol nega recurso do Flamengo e confirma Estudiantes na final contra o Palmeiras

A Conmebol negou o recurso do Flamengo contra a escalação de Marcos Rojo, selando a presença do Estudiantes na decisão contra o Palmeiras. O desfecho encerra uma disputa jurídica que durou semanas, mas deixa no ar uma pergunta incômoda: até que ponto burocracia e liminares devem definir quem levanta a taça?

O imbróglio burocrático que parou a semifinal

Tudo girou em torno de datas e regulamentos. Marcos Rojo atuou pelo Racing em 27 de setembro — 25 dias após o fechamento da janela de transferências argentina, em 2 de setembro. O Estudiantes o contratou para cobrir a lesão de Gabriel Neves, e a AFA (federação local) autorizou a inscrição com base na exceção para substituição de atleta machucado.

A Conmebol, porém, interpretou diferente. Para a entidade sul-americana, a exceção não se aplica quando o jogador mantinha vínculo com outro clube no momento em que a janela se encerrou. O conflito de interpretações criou um vácuo regulatório que acabou na Corte Arbitral do Esporte (CAS).

Em caráter cautelar, a CAS liberou Rojo para atuar nos dois jogos contra o Flamengo. Ele entrou em campo, o Estudiantes eliminou o rubro-negro nos pênaltis e a bola rolou. Mas a contestação jurídica seguiu viva.

O que decidiu a Conmebol nesta quarta

O anúncio oficial saiu em 28 de outubro. A Conmebol manteve o entendimento de que a inscrição era irregular, mas optou por não alterar o resultado de campo. Em comunicado, a entidade informou que o recurso flamenguista foi “improcedente”, confirmando o Estudiantes como finalista.

Na prática, a decisão evita o precedente de anular uma eliminatória já disputada com aval da mais alta corte esportiva mundial. Para o Flamengo, resta a via recursal à própria CAS — caminho que, segundo fontes próximas ao clube, não deve ser percorrido.

Números da eliminatória e o peso de Muslera

Olhando para o que aconteceu dentro das quatro linhas, o Flamengo finalizou 180 minutos com apenas três chutes no alvo, sendo um com real perigo. Na marca da cal, Sergio Muslera — goleiro com histórico de defesas decisivas em Copas do Mundo — parou as cobranças de Bruno Henrique e David Luiz.

  • Chutes no alvo do Flamengo: 3 em dois jogos
  • Pênaltis defendidos por Muslera: 2
  • Tempo de bola rolando até a definição: 180 minutos + penalidades

Rojo não foi o protagonista da eliminação. Mas a dúvida permanece: sem ele, outro zagueiro cometeria pênalti? Faria o gol da classificação? O “e se” é inerente ao esporte, mas a irregularidade — real ou suposta — não pode ser ignorada.

O desgaste institucional do Flamengo fora de campo

Nas últimas semanas, o clube carioca acumulou frentes de batalha extracampo. Além do recurso contra o Estudiantes, o departamento jurídico atuou no retorno das casas de apostas ao futebol brasileiro e na disputa para impedir que o Vasco mandasse jogos no Maracanã — estádio que o Flamengo administra, mas não possui.

Líder do Campeonato Brasileiro a seis rodadas do fim, o time de Tite tem desempenho sólido na competição de pontos corridos. Ainda assim, a torcida acostumada a títulos continentais vê 2023 como ano de “apenas” um Brasileirão — o que, para o patamar atual do clube, soa como pouco.

O que observar nas próximas semanas

A final está marcada para 4 de novembro, no Maracanã. Palmeiras e Estudiantes chegam por caminhos opostos: o alviverde atropelou o Boca Juniors na semi; os argentinos avançaram entre liminares e dúvidas regulatórias. Para o Flamengo, o foco exclusivo no Brasileirão pode ser a melhor notícia — desde que o time não perca o ritmo nas seis rodadas finais.

Resta saber se a Conmebol revisará seus critérios de exceção para janelas fechadas ou se casos semelhantes voltarão a judicializar semifinais futuras. O precedente está posto: a palavra final, no campo, coube a Muslera. Nos tribunais, coube ao silêncio da CAS.