Os recibos de ações (ADRs) das maiores empresas brasileiras abriram esta terça-feira (27) em alta expressiva nos Estados Unidos, ensaiando uma recuperação técnica após o tombo histórico da véspera. O movimento alivia a pressão imediata, mas deixa no ar a dúvida: trata-se de uma correção natural ou o início de uma nova tendência?
O pregão de segunda-feira (26) foi implacável. A reação ao desfecho do segundo turno eleitoral provocou uma liquidação generalizada, com o índice EWZ — principal termômetro do Brasil em Nova York — desabando quase 20% em uma única sessão. O pré-mercado de hoje, no entanto, mostra os primeiros sinais de fôlego comprador.
Petrobras e grandes bancos puxam a fila da recuperação
A estatal de petróleo, epicentro do pânico de ontem, registra alta de 0,67% por volta das 6h30 (horário de Brasília). O número ganha relevância quando comparado à queda de quase 14% registrada no fechamento anterior. O setor financeiro, que sofreu as maiores perdas proporcionais, também ensaia o retorno.
Confira o desempenho dos principais nomes no pré-mercado versus o fechamento de segunda:
- Itaú Unibanco: +0,26% (ontem: -20,37%)
- Bradesco: +1,27% (ontem: -28,01%)
- Santander Brasil: +3,11% (ontem: -13,15%)
- Vale: +0,50% (ontem: -3,23%)
- Embraer: +0,23% (ontem: +0,32%)
Fintechs e ETF ampliam o alívio
O otimismo se estende às ações de tecnologia financeira. Nubank e XP Investimentos avançam 1,75% e 2,39%, respectivamente, sugerindo que o apetite por risco voltou a aparecer para nomes de alto beta. O próprio EWZ sobe 0,26%, devolvendo uma fração mínima do prejuízo de 19,82% da sessão anterior.
Mas nem tudo caminha na mesma direção. Enquanto as ações tentam se firmar no positivo, os contratos futuros do real para novembro e dezembro recuam leves 0,05%. A divergência sinaliza que o mercado de câmbio ainda precifica incertezas fiscais e políticas que o mercado acionário, momentaneamente, ignora.
O que observar nas próximas horas
A abertura do mercado à vista no Brasil (B3) será o teste de fogo. O volume no pré-mercado americano costuma ser baixo, o que exagera movimentos — tanto para cima quanto para baixo. A sustentação da alta dependerá da entrada de investidores institucionais locais e do noticiário macroeconômico.
Três variáveis ditam o ritmo daqui para frente: a sinalização da equipe de transição sobre a âncora fiscal, a reação do dólar à vista no spot brasileiro e a ata do Copom, que traz pistas sobre a trajetória da Selic. Quem leu até aqui sabe: o rebote de hoje é bem-vindo, mas a volatilidade deve permanecer como regra, não exceção.
