Justiça

Ônibus sumiram nas eleições? Campanha aciona Justiça e multa chega a R$ 100 mil

Ônibus vazio em ponto de parada na zona leste de São Paulo durante segundo turno das eleições
Campanha de Lula denuncia redução drástica de frota de ônibus em São Paulo no segundo turno

A campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) formalizou uma denúncia no Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) neste domingo (25) alegando redução drástica da frota de ônibus na capital durante o segundo turno. O pedido solicita verificação urgente de possíveis irregularidades no transporte público municipal e intermunicipal.

O que motivou a ação judicial

O documento, assinado pelo advogado Michel Bertoni Soares, relata escassez de veículos em bairros da zona leste — com destaque para Itaim Paulista — além de regiões centrais e da avenida Paulista. Fiscais do partido também coletaram depoimentos de moradores da zona norte que afirmam esperar mais de uma hora por coletivos que não chegam.

A denúncia estende-se à Viação Cometa. Segundo o relato, o site da empresa não disponibilizava passagens para rotas entre São Paulo e cidades como Sorocaba, Campinas, Santos e Ribeirão Preto, nos dois sentidos. A orientação na plataforma direcionava usuários da gratuidade aos guichês físicos.

Decisão judicial anterior aumenta a pressão

Na sexta-feira (23), a Justiça Eleitoral já havia determinado que a Prefeitura de São Paulo e a SPTrans operassem 100% da frota prevista para dias úteis regulares. A ordem fixou multa pessoal de R$ 100 mil por dia ao prefeito Ricardo Nunes (MDB) e ao presidente da SPTrans em caso de descumprimento injustificado.

O magistrado advertiu ainda que a desobediência pode configurar crime eleitoral, além de gerar responsabilização civil e administrativa.

Principais pontos sob investigação

  • Frota municipal operando abaixo do determinado na sexta-feira
  • Tempo de espera superior a 60 minutos em bairros da zona norte
  • Indisponibilidade de passagens intermunicipais no sistema da Viação Cometa
  • Possível direcionamento irregular de beneficiários da gratuidade

O que diz a defesa da campanha

Marco Aurélio Carvalho, coordenador jurídico da campanha, classificou a situação como “muito grave” caso confirmada. “Se isso for verdadeiro, é uma posição criminosa da Prefeitura de São Paulo. Tem que ser apurado com absoluto rigor”, declarou. A equipe aguarda posicionamento oficial do TRE-SP sobre as medidas de fiscalização.

Próximos passos e o que observar

O tribunal deve requisitar relatórios operacionais da SPTrans e da Viação Cometa nas próximas horas. A apuração incluirá dados de GPS da frota municipal, registros de venda de passagens intermunicipais e eventuais comunicados internos sobre alteração de escalas.

Para o eleitor, a recomendação prática é documentar — com fotos, vídeos ou prints de aplicativos — eventuais irregularidades no embarque e acionar a ouvidoria do TRE-SP pelo telefone 1491 ou pelo aplicativo Pardal. O desfecho da apuração pode resultar em sanções administrativas, multas pesadas e, em última instância, responsabilização criminal dos gestores envolvidos.