Uma delegação acreana desembarcou em Yerevan, na Armênia, para a COP17 com dois trunfos na manga: um modelo de manejo de quelônios que já protegeu mais de 12 mil ovos e um programa de resiliência climática financiado pelo Canadá e pela ONU. O objetivo vai além de mostrar serviço: é desbloquear novas rodadas de capital verde para a Amazônia.
O evento, que ocorre de 19 a 30 de outubro, reúne os principais articuladores da Convenção sobre Diversidade Biológica. Para o Acre, a vitrine internacional funciona como uma rodada de negócios ambientais de alto nível.
O ativo que nasce no rio Abunã
O primeiro case apresentado pelo secretário Leonardo Carvalho nasce nas águas do rio Abunã, entre Acrelândia e Plácido de Castro. Em parceria com o Ibama, o Programa de Conservação de Quelônios foca em três espécies-chave: tracajá, iaçá e tartaruga-da-amazônia.
A estratégia mobiliza biomonitores locais para recolher ovos vulneráveis, transferi-los para ninhos monitorados e garantir a eclosão segura. O resultado concreto impressiona: mais de 12 mil ovos sob proteção ativa, devolvendo indivíduos viáveis à natureza a cada ciclo.
Para o investidor atento, o modelo revela uma equação rara: baixo custo operacional, alta replicabilidade e geração de renda para comunidades ribeirinhas via bioeconomia.
Resiliência com dinheiro canadense e governança da ONU
O segundo pilar da apresentação acreana carrega assinatura de peso: recursos do governo do Canadá geridos pelo Fundo das Nações Unidas. O Programa de Resiliência Socioambiental atua nas APAs Igarapé São Francisco e Lago do Amapá.
Diferente de projetos puramente preservacionistas, este aposta em quatro eixos simultâneos:
- Fortalecimento da economia local via cadeias sustentáveis;
- Governança territorial para decisões compartilhadas;
- Recorte de gênero, colocando mulheres no centro da gestão de recursos;
- Restauração de nascentes e florestas degradadas.
A abordagem integra adaptação climática com justiça social — um combo que tem ganhado preferência em fundos climáticos globais nos últimos ciclos de captação.
Por que Yerevan importa para o bolso do empresário amazônico
A COP17 não é apenas um fórum de discursos. É onde se definem as regras do jogo para o mercado de biodiversidade, créditos de carbono de alta integridade e pagamentos por serviços ecossistêmicos (PSE).
O Acre leva nove unidades de conservação estaduais — estoques florestais que funcionam como ativos de carbono vivos. A presença na Armênia sinaliza ao mercado internacional que o estado tem governança, monitoramento e projetos prontos para escalar.
Mas o efeito mais relevante aparece na ponte entre conservação e infraestrutura verde.
O que observar daqui para frente
Fique atento a três movimentos nos próximos trimestres: a formalização de novos acordos de financiamento bilateral anunciados nos corredores de Yerevan; a expansão do modelo de quelônios para outras bacias hidrográficas do estado; e a inclusão das APAs beneficiadas no radar de fundos de restauração de paisagens (como a Iniciativa 20×20).
Quem antecipa a leitura desses sinais não apenas protege ativos — posiciona-se na origem da próxima onda de valor da bioeconomia amazônica.
