O Six Flags Magic Mountain, na Califórnia, inaugurou a maior estrutura de carport solar do estado: 22.908 painéis bifaciais capazes de gerar 20,8 milhões de kWh por ano. A produção promete zerar a conta de luz do parque e do vizinho Hurricane Harbor Los Angeles. Mas a geração de energia é apenas a ponta do iceberg.
O sistema de 12,37 MW ocupa 637 mil pés quadrados sobre vagas que já existiam. A sacada está em transformar um passivo — o asfalto quente — em ativo triplo: eletricidade limpa, sombra para 4.315 carros e infraestrutura de recarga. Tudo sem ocupar um metro quadrado extra de terra.
Tecnologia que capta luz dos dois lados
Os módulos da RECOM são bifaciais. A face superior capta o sol direto; a inferior aproveita a radiação refletida pelo solo claro sob as coberturas. Esse ganho de eficiência ajuda a atingir a meta anual de compensar 100% do consumo das duas instalações da Six Flags na região.
A estrutura divide-se em 36 módulos de sustentação. Abaixo deles, 3.544 vagas atendem visitantes e 771 servem funcionários. No verão californiano, a diferença de temperatura interna dos veículos chega a ser decisiva para o conforto — e para a durabilidade de baterias de carros elétricos estacionados ali.
Recarga e armazenamento: a rede invisível
O projeto não parou nos painéis. Foram instalados 109 conectores para veículos elétricos distribuídos pelos estacionamentos. Visitantes e colaboradores podem recarregar enquanto aproveitam as atrações, consumindo a energia gerada metros acima de suas vagas.
- Baterias: 2 MW de potência com 8 MWh de capacidade (4 horas a carga máxima).
- Função: Suavizar picos de demanda e garantir fornecimento quando a geração solar cai.
- Rede: Conexão bidirecional com a Southern California Edison.
O excedente diurno vai para a rede; à noite ou em picos, o parque puxa da concessionária ou das baterias. A meta contábil é o saldo zero ao final de 12 meses.
Parceria e cronograma enxuto
Desenvolvido pela Solar Optimum e DSD Renewables, o canteiro abriu em 1º de novembro de 2023. A velocidade de execução chama atenção: um projeto dessa envergadura costuma travar em licenciamento e interconexão. Aqui, a estrutura leve das coberturas e a área já pavimentada aceleraram a obra.
Não é o primeiro movimento do grupo. Discovery Kingdom (Norte da Califórnia) e Great Adventure (Nova Jersey) já operam sistemas semelhantes. A estratégia escala: estacionamentos ociosos viram usinas distribuídas, reduzindo risco de transmissão e custos de aquisição de terra.
O que observar daqui para frente
O modelo de duplo uso de solo resolve o maior entrave solar em áreas urbanas: espaço. Se a performance real confirmar os 20,8 milhões de kWh/ano, a Six Flags terá um case financeiro robusto — capex pago via economia de OPEX energético e possível receita de créditos de carbono.
Fique atento à degradação dos painéis bifaciais em ambiente de poeira e tráfego intenso, à taxa de utilização dos 109 carregadores (dado que a Six Flags ainda não divulgou) e à expansão para outros parques do portfólio. O próximo anúncio pode vir de qualquer unidade com estacionamento grande e tarifa de energia alta.
