Economia

Recorde de 15 anos: Brasil emplaca 509 mil veículos em setembro… veja o porquê

Gráfico mostra recorde de 509 mil veículos emplacados no Brasil em setembro de 2026
Setembro de 2026 bate recorde de 15 anos com 509,7 mil veículos emplacados no Brasil.

O Brasil registrou em setembro o melhor mês da história para vendas de veículos, com 509,7 mil unidades emplacadas. O feito ocorre mesmo com a Selic a 13,75% e coloca 2026 no ritmo mais forte desde 2011. O que explica essa aceleração contrária ao custo do crédito?

O volume supera setembro de 2025 em 8% e mantém o patamar de meio milhão de unidades pelo segundo mês seguido. No acumulado do ano, já são 4,2 milhões de veículos — alta de 14% sobre 2025. Se o ritmo persistir, o mercado fechará o ano com 5,4 milhões, projeção que a Fenabrave mantém, mas promete revisar em novembro.

A composição mudou: motos e chineses redesenham o mercado

Diferente de 2011, as duas rodas agora dominam. Motos responderam por 45% dos emplacamentos de janeiro a setembro, contra 37% há 15 anos. Carros e comerciais leves caíram de 63% para 55% da fatia, embora tenham crescido 19% no período, somando 2,16 milhões de unidades.

O avanço das marcas chinesas é o dado mais disruptivo. Elas abocanharam 21% das vendas de leves em setembro, o dobro de um ano atrás. Segundo a Bright Consulting, há migração real: compradores de seminovos estão levando zero-quilômetro chineses para casa, pressionando preços para baixo.

  • Preço médio do novo subiu menos que a inflação pela primeira vez em seis anos.
  • Eletrificados (híbridos + elétricos) bateram 60 mil emplacamentos no mês — mais que o dobro de 2025.
  • Hoje, 1 em cada 4 carros vendidos tem algum nível de eletrificação.

Incentivos do governo e crédito: o motor oculto

O programa Carro Sustentável, que zerou o IPI de compactos nacionais de baixa emissão, injetou cerca de 73 mil vendas extras no primeiro semestre, segundo a Anfavea. Modelos de entrada como Mobi e Kwid foram os maiores beneficiados.

No crédito, a Trillia (braço da B3) registrou 684 mil financiamentos de novos e usados em agosto — recorde para o mês em 15 anos. Nos pesados, o Move Brasil segurou a queda de caminhões, que ainda acumulam recuo de 4% no ano, mas teriam caído mais sem as linhas de renovação de frota.

Sinais de alerta: inadimplência e produção descolada

Nem tudo são flores. A inadimplência das famílias atingiu 6% em agosto e os juros médios do crédito livre voltaram a subir. A Bright define o momento como “estabilização, não aceleração”.

Outro ponto crítico: a indústria nacional não acompanha a festa. Vendas cresceram 18% até agosto, mas a produção avançou menos da metade. A diferença está sendo preenchida por importados — majoritariamente chineses.

O que observar daqui para frente

Dois prazos ditam o próximo capítulo. O IPI zero do Carro Sustentável vence em dezembro. A partir de 2027, a reforma tributária redesenhará a tributação do setor, podendo alterar a competitividade dos modelos atuais. A revisão da Fenabrave em novembro dirá se o mercado sustenta os 500 mil mensais ou se o fôlego acabou.