Justiça

Starbucks processada: bebidas “sem açúcar” escondem até 21g por copo…

Copo Venti Starbucks com bebida proteica e rótulo "sem açúcar" questionado judicialmente
Ação coletiva alega que bebidas proteicas "sem açúcar" da Starbucks contêm até 21g de lactose por copo Venti.

Consumidores nos EUA entraram com ação coletiva contra a Starbucks alegando propaganda enganosa em oito bebidas proteicas rotuladas como “sem açúcar”. O problema central: cada porção grande (Venti) carrega entre 13 e 21 gramas de lactose, o açúcar natural do leite.

A denúncia, protocolada em tribunal federal de Seattle na sexta-feira (2), questiona o próprio fundamento do marketing da rede. Afinal, a legislação federal veda o termo “sem açúcar” para produtos com mais de 0,5 grama por porção de 355 ml.

Onde está a armadilha do rótulo

A linha de proteínas foi lançada em setembro de 2025 sob a bandeira “Back to Starbucks”. O site da empresa destaca “sem adição de açúcar” e “rico em proteínas”, omitindo que a base láctea injeta quantidades significativas de carboidratos no copo final.

Para um consumidor atento às macros, a diferença é brutal. Veja o que muda na prática:

  • Limite legal “sem açúcar”: 0,5g por 355 ml
  • Realidade Venti (590-710 ml): 13g a 21g de lactose
  • Calorias declaradas: 270 a 340 kcal por porção grande

Por que isso atinge o bolso do investidor

O processo mira a intenção da marca de surfar na onda de 75% dos norte-americanos que tentam cortar açúcar. A acusação cita violação de leis estaduais de defesa do consumidor e ausência de avisos obrigatórios — as bebidas não são “baixa caloria” nem feitas para controle de peso, conforme exigência federal.

Indenizações não foram quantificadas, mas o precedente assusta. Dezenas de fabricantes já enfrentam ações semelhantes, muitas envolvendo o adoçante alulose. O custo jurídico e de reputação pode escalar rápido se a Justiça entender que a lactose conta como “açúcar” para fins de rotulagem.

O efeito cascata no varejo de alimentação

Redes que usam leite integral ou desnatado em bebidas “zero” ou “sem açúcar” estão na mira. A definição técnica da FDA sobre “sugar-free” não isenta açúcares intrínsecos da matriz do ingrediente — apenas os adicionados. Mas a percepção do consumidor e a letra fria da lei podem divergir perante um júri.

Advogados de defesa argumentam que “sem adição de açúcar” e “sem açúcar” são alegações distintas. A Starbucks ainda não se manifestou oficialmente sobre o mérito.

O que observar nas próximas semanas

Acompanhe a movimentação no processo Seattle Federal Court e eventuais acordos extrajudiciais. Se a tese da acusação prevalecer, espere revisão massiva de rótulos em cafés prontos, shakes proteicos e lácteos saborizados nos EUA — e pressão regulatória semelhante no Brasil, onde a ANVISA endurece regras de rotulagem frontal desde 2022. Para quem opera no setor, a lição é clara: “sem adição” não blindia contra “sem açúcar” se a matéria-prima trouxer o carboidrato na fórmula.