Economia

O segredo do CEO que paralisa 13 mil funcionários toda sexta às 16h15…

Greg Jackson CEO Octopus Energy conduz reunião virtual semanal com 13 mil funcionários
O "jantar em família" virtual de sexta-feira que une 13 mil colaboradores em oito países.

Greg Jackson, fundador da Octopus Energy, para a empresa inteira toda sexta-feira às 16h15 para um “jantar em família” online de meia hora. Parece caótico, mas é a cola que mantém 13 mil pessoas em oito países puxando para o mesmo lado. O formato virou caso de estudo para líderes que perdem o sono com comunicação interna.

O ritual que virou “evento obrigatório”

Não há e-mail longo nem apresentação engessada. Às 16h15 em ponto, funcionários largam o que estão fazendo, pegam bebidas na geladeira e se reúnem diante das telas. Jackson e seus diretores entram ao vivo com histórias de clientes, dados de desempenho por país e um fluxo constante de piadas e comentários no chat.

Em uma sessão recente, o CEO comemorou a vitória da operação alemã em 36 categorias de prêmios do setor com um “Jesus, isso é inacreditável”. Ao saber que o Japão atingiu 600 mil clientes, soltou um “Absolutamente bom pra caralho!” e prometeu viagens a Tóquio e Pequim para quem acertasse o número de painéis solares instalados na China em 2025. As inscrições para o quiz, segundo ele, foram “fora da escala”.

Por que a bagunça funciona (e o perigo de copiar cegamente)

O segredo não é a informalidade, mas a regularidade e o alinhamento. Jackson conduz pessoalmente três de cada quatro sessões — as globais e as nacionais — deixando apenas as reuniões de times para os gestores diretos. “É crucial se você quer manter uma empresa global concentrada nos mesmos objetivos”, resume ele.

Mas há um detalhe ignorado por quem tenta replicar: a Octopus é de capital fechado. Jackson pode brincar, xingar e prometer viagens sem advogados ou compliance travando a fala. Em gigantes de capital aberto com 200 mil funcionários, como o HSBC, a régua é outra.

O que outros gigantes estão testando

Não existe modelo único, mas os padrões de quem acerta têm pontos em comum. Veja como outros líderes lidam com a escala:

  • HSBC (Georges Elhedery): Priorizou gestores seniores como comunicadores; faz town halls regionais e debates com convidados externos, como Demis Hassabis (DeepMind).
  • BBC (Matt Brittin): Adotou sessões de perguntas e respostas online conduzidas por jornalistas da casa para 20 mil funcionários.
  • McKinsey (Bob Sternfels): Mantém blog regular sobre tendências de mercado e cartas pontuais, mais densas, sobre decisões estratégicas.
  • Outros: Vídeos curtos, “pergunte-me qualquer coisa” no Slack e e-mails pessoais sobre férias ou bastidores.

A lição prática para quem lidera hoje

O denominador comum não é o canal — é a intenção. Comunicação que engaja exige três pilares: frequência previsível, curadoria do que realmente importa e linguagem humana, não corporativa. Quem consegue fazer isso e ainda arrancar uma risada sai na frente.

Daqui para frente, observe se seus canais atuais informam ou apenas ocupam caixa de entrada. Teste formatos curtos, ao vivo e com espaço para interação real. O “jantar em família” da Octopus só existe porque o chefe decidiu que alinhar a rota valia mais do que proteger a agenda.