A Zebu Sistemas Eletrônicos começou a fabricar isoladores por injeção plástica e ampliou o parque industrial em Lajeado (RS), internalizando um componente que antes vinha de terceiros. A movimentação sinaliza uma mudança de escala em um mercado que saiu do cercamento de gado e hoje atende lavouras, delimitação de áreas e segurança patrimonial no campo.
Com produção de 25 mil eletrificadores por mês e rede de 4,5 mil parceiros comerciais, a empresa exporta para Uruguai, Paraguai, México e Bolívia. Mas o número que chama atenção está no portfólio: a categoria solar é a que mais cresce.
Por que o solar passou a liderar a expansão
Eletrificadores fotovoltaicos eliminam a dependência de rede elétrica e reduzem o custo operacional. Permitem instalar cercas ativas em pontos remotos da propriedade — divisas de lavoura, áreas de preservação, pastagens distantes da sede — sem infraestrutura de energia convencional.
O sócio-diretor Michel Antônio Hickmann resume a mudança: o produtor busca equipamentos que resolvam diferentes problemas de segurança na mesma propriedade. A resposta da empresa foi ampliar a oferta de modelos solares e de alta potência, além de acessórios de instalação.
O impacto direto no bolso do produtor
- Custo de energia: queda expressiva ao substituir equipamentos ligados à concessionária por painéis e baterias.
- Flexibilidade de layout: cercas podem acompanhar o planejamento agronômico, não a rede elétrica.
- Manutenção: menos quilômetros de fiação exposta a intempéries e roedores.
Esses fatores explicam a migração de pecuaristas e agricultores para sistemas autônomos, especialmente em propriedades acima de 500 hectares.
Internalização de isoladores: ganho de controle e margem
A decisão de produzir isoladores por injeção plástica dentro de casa tira a Zebu da dependência de fornecedores externos. O componente é pequeno, mas crítico: falhas nele comprometem a eficácia de toda a cerca. Controlar a qualidade e o prazo de entrega fortalece a posição da marca junto aos 4,5 mil revendedores.
Mas o efeito mais relevante aparece na capacidade de lançar kits completos — eletrificador, painel, bateria, isoladores, hastes — com garantia única e logística simplificada.
Cenários para os próximos trimestres
A expansão do parque industrial em Lajeado deve absorver o aumento de demanda sazonal do segundo semestre, quando o plantio de verão eleva a necessidade de proteção de lavouras. A empresa não divulga projeção de faturamento, mas o ritmo de 25 mil unidades/mês já coloca a Zebu entre os maiores fabricantes nacionais do segmento.
O que observar daqui pra frente: a velocidade de adoção de kits solares em regiões de fronteira agrícola (Matopiba, sul do Pará, oeste da Bahia) e a resposta dos concorrentes — se internalizam componentes ou apostam em parcerias de montagem. Quem conseguir entregar sistema completo com estoque local e suporte técnico ganha a preferência do revendedor e, por tabela, do produtor.
