Luciano Zucco (PL) foi eleito governador do Rio Grande do Sul neste domingo (4), atingindo 57,86% dos votos válidos com 90,25% das urnas apuradas. A vitória no primeiro turno desenha um novo mapa de poder no estado e sinaliza direções que impactam diretamente investidores e empresários gaúchos.
Silvana Covatti (PP) assume como vice-governadora. A chapa derrotou Juliana Brizola (PDT), que ficou com 31,89% dos votos válidos. A margem expressiva — superior a 25 pontos percentuais — antecipa uma base de apoio ampla na Assembleia Legislativa.
Perfil do eleito: militar, segurança e oposição sistemática
Nascido em Alegrete (1974) e criado na Serra Gaúcha, Zucco construiu carreira nas Forças Armadas. Formado pela AMAN, especializou-se como sniper e mestre de salto na Brigada de Infantaria Paraquedista. Possui mestrado em Ciências Militares e Inteligência Estratégica, além de MBA em Segurança Privada.
O currículo inclui passagens pelo Gabinete de Segurança Institucional da Presidência, comando de inteligência no Complexo do Alemão e docência no Colégio Militar de Porto Alegre. Na política, coleciona recordes de votação: deputado estadual mais votado em 2018 (166.747 votos) e federal mais votado em 2022 (259.023 votos).
Em Brasília, presidiu a CPI do MST e liderou a oposição ao governo Lula. A eleição de 2026 consolidou-o como nome de Jair Bolsonaro (PL) no estado, com coligação que reúne sete partidos: PL, PP, Republicanos, Podemos, DC, Novo e União Brasil.
O que a votação revela sobre o eleitorado gaúcho
O primeiro turno expôs um fenômeno atípico: taxas recordes de indecisão. Pesquisa Quaest de agosto mostrou o RS com o maior índice de indecisos para presidente da República e o segundo maior para governador na modalidade estimulada. Na espontânea, o estado figurava em quarto lugar.
O comportamento reflete uma campanha que não conseguiu penetrar no Interior. Levantamento do g1 mapeou agendas dos quatro principais candidatos e confirmou: a disputa concentrou-se na Região Metropolitana de Porto Alegre, deixando vastas áreas sem contato direto com os postulantes.
As “dobradinhas” em debates — acordos informais entre candidatos para dividir tempo e atacar rivais comuns — marcaram a dinâmica televisiva, mas não resolveram o vazio de propostas concretas para regiões produtoras.
Impacto direto: governabilidade e pautas prioritárias
A coalizão de sete partidos garante maioria confortável no Legislativo estadual. Isso acelera votações de interesse do Executivo, mas exige gestão de demandas heterogêneas — do agronegócio (PP, Republicanos) à pauta liberal (Novo) e à base bolsonarista (PL).
- Segurança pública: bandeira central da carreira do governador; espera-se expansão de policiamento ostensivo e investimento em inteligência.
- Desburocratização: alinhada ao discurso do Novo e à base empresarial; pode atrair investimentos se traduzida em leis efetivas.
- Relação com Brasília: perfil de oposição ao governo federal pode gerar atritos em repasses e convênios, mas também mobilizar emendas de bancada alinhada.
Cenários para os próximos meses
A transição começa imediatamente. O primeiro teste será a montagem do secretariado: nomes técnicos ou indicações políticas? A resposta definirá o ritmo das reformas administrativas prometidas.
No campo fiscal, o RS arrasta déficits estruturais. A capacidade de negociar alongamento de dívida com a União — em meio a relação ideologicamente tensa — será termômetro da gestão. Empresários devem monitorar:
- Projetos de lei de incentivo fiscal nos primeiros 100 dias.
- Decretos de flexibilização ambiental e licenciamento.
- Posicionamento do governo estadual sobre a Reforma Tributária federal.
O que observar daqui para frente
A vitória expressiva no primeiro turno dá capital político, mas não resolve a fragmentação de demandas regionais que a própria campanha expôs. O Interior — agroindústria, turismo, pequenas cidades — cobrará presença efetiva. A execução orçamentária no primeiro semestre de 2027 revelará se a gestão prioriza articulação federativa ou confronto ideológico. Para quem decide alocar capital no estado, o sinal está dado: a arquitetura política mudou. A execução, agora, é que ditará o retorno.
