A Micron, gigante global de semicondutores, acaba de confirmar o que o mercado temia: a escassez de chips de memória vai se agravar drasticamente em 2027 e 2028. A produção do próximo biênio já está praticamente toda vendida — e a preços “muito mais altos” que os atuais. Para quem acompanha o setor de games, o sinal é claro: o Nintendo Switch 2, que já subiu em 2024, vive sob ameaça real de novo reajuste.
O diagnóstico da Micron: aperto sem prazo para acabar
Na divulgação do balanço fiscal, o CEO Sanjay Mehrotra foi direto: a demanda vai superar a oferta nos próximos dois anos. Não há previsão de equilíbrio entre as pontas. Novas fábricas só entram em operação a partir de 2028, e a capacidade extra não deve baratear os componentes de imediato. Em resumo: o custo da matéria-prima vai subir antes de cair.
Por que a inteligência artificial está “comendo” a memória dos consoles
O motor dessa pressão não é o videogame. São os data centers de IA. Eles consomem volumes massivos de memória de alta performance — exatamente a mesma tecnologia usada em consoles, smartphones e PCs. Enquanto Big Techs travam uma corrida armamentista por GPUs e HBM (memória de larga banda), a alocação de wafers para eletrônicos de consumo fica em segundo plano.
- Produção 2027: Majoritariamente vendida antecipadamente (allocations fechadas).
- Preço spot: Projeção de valores “significativamente superiores” ao patamar de 2024/2025.
- Alívio real: Apenas a partir de 2028/2029, com novas fabs maduras.
O efeito cascata: Switch 2, Xbox, PS5 e Steam Machine
A conta chegou cedo. Em maio, a Nintendo reajustou o Switch 2 globalmente: nos EUA, saltou de US$ 449,99 para US$ 499,99 (vigente desde 1º de setembro). No Brasil, o sugerido foi para R$ 4.599,90 na mesma data. A justificativa oficial? “Mudanças nas condições de mercado” — leia-se: custo de BOM (Bill of Materials) pressionado pela memória.
A concorrência não esperou. A Microsoft elevou o Xbox Series X/S entre US$ 100 e US$ 150. A Sony mexeu no preço do PS5 em regiões selecionadas. A Valve, por sua vez, admitiu que o custo-alvo da nova Steam Machine tornou-se inviável; o equipamento hoje passa de US$ 1.000. O padrão é uníssono: hardware de games virou refém do ciclo de semicondutores.
Cenário para os próximos 12 meses: novo aumento é “praticamente certo”
Analistas do setor, como o portal Nintendo Life, avaliam que, mantidas as projeções da Micron, um novo reajuste do Switch 2 nos próximos 12 meses deixa de ser hipótese para virar expectativa base. A Nintendo não comenta rumores de fornecedores, mas a estrutura de custos não mente: se o insumo sobe, a margem aperta ou o preço sobe. Histórico recente mostra qual caminho a indústria costuma escolher.
O que observar daqui para frente
Três variáveis ditam o ritmo: a taxa de utilização das fábricas atuais (hoje no teto), a velocidade de ramp-up das novas linhas em 2028 e, crucialmente, se a demanda por IA arrefece ou mantém o apetite voraz. Para investidores e gestores de varejo, o recado é prático: planejem estoques e precificação assumindo custo de memória em alta até o final de 2027. O alívio, se vier, virá devagar.
