A Micron, uma das maiores fabricantes de memória do planeta, acaba de confirmar o que o mercado temia: a escassez de RAM e os preços elevados vão persistir pelo menos até 2028. O culpado não é a logística, mas a fome voraz da inteligência artificial por chips de alta largura de banda (HBM).
Durante a última apresentação a investidores, o CEO Sanjay Mehrotra foi direto: a produção do próximo ano já está praticamente vendida. Clientes devem se preparar para custos superiores aos de 2026, sem data definida para o equilíbrio entre oferta e procura.
A raiz do problema: IA devora a capacidade de fábrica
Cada wafer de silício destinado à memória HBM para data centers é um wafer a menos para a RAM do seu notebook ou console. Como a margem bruta da divisão de nuvem da Micron saltou de 59% para 83% em um ano — e a de DRAM para servidores foi de 41% para 90% —, a prioridade industrial é óbvia.
O resultado prático aparece na prateleira: PlayStation 5, Xbox Series X/S e o futuro Switch 2 já sofreram reajustes em diversos mercados. Fabricantes de PCs e componentes repassam o custo extra, e a pressão se estende aos SSDs de alto desempenho.
O investimento de US$ 25 bilhões que não resolve amanhã
A Micron não está parada. A empresa prevê capex de US$ 25 bilhões no primeiro semestre do novo ano fiscal para erguer novas fábricas. O porém: elas só entram em operação a partir de 2028. E mesmo assim, Mehrotra alerta que a entrada de nova capacidade não deve derrubar os preços de imediato, pois a demanda por HBM cresce mais rápido que a de DRAM tradicional.
- Vendas de SSD para data center: quase US$ 10 bilhões no trimestre (crescimento superior a 1.000% ano a ano).
- Margem bruta cloud (inclui HBM): 83% no Q4 (era 59%).
- Margem bruta DRAM data center: 90% no Q4 (era 41%).
- Novas fábricas operando: a partir de 2028.
Parceria com Nvidia sinaliza o próximo salto
Enquanto amplia a capacidade, a Micron aprofunda laços com a Nvidia no desenvolvimento do NV-HBM, implementação customizada de HBM4E para futuras GPUs baseadas em NVLink Fusion. A Samsung, em sua própria conferência, ecoou o diagnóstico: o aperto no mercado de memória segue pelo menos durante o próximo ano.
O que observar daqui para frente
Para quem planeja atualizar parque de TI, montar workstations ou precificar hardware para revenda, a equação é clara: orçamentos devem embutir prêmio de memória até o final da década. Acompanhe os relatórios de capex da Micron e Samsung — qualquer atraso nas novas fábricas empurra o alívio para 2029. Do lado da demanda, o lançamento de novas arquiteturas de GPU da Nvidia e AMD ditará o ritmo de consumo de HBM e, por tabela, a folga para o mercado consumer.
