O preço médio do etanol hidratado subiu 0,49% na semana, atingindo R$ 4,10 o litro nos postos de todo o país, segundo dados da ANP compilados pelo AE-Taxas. A alta atingiu 13 estados, mas esconde um detalhe crucial: em 10 unidades da federação e no Distrito Federal, o biocombustível segue mais vantajoso que a gasolina.
O mapa da competitividade mudou e saber exatamente onde abastecer pode fazer a diferença no fim do mês. A lista de estados favoráveis ao etanol reserva surpresas para quem olha apenas a média nacional.
São Paulo puxa a alta, mas Goiás dispara
Principal polo produtor e consumidor, São Paulo registrou valorização de 1,06%, levando o litro a R$ 3,81. Foi o suficiente para elevar a média nacional, dado o peso paulista na amostragem.
O movimento, porém, foi desigual. Confira os destaques da semana:
- Maior alta: Goiás, com salto de 2,68% (R$ 4,36/litro).
- Maior queda: Amazonas, recuo de 2,73% (R$ 4,99/litro).
- Menor preço médio estadual: São Paulo (R$ 3,84/litro).
- Maior preço médio estadual: Amapá (R$ 5,83/litro).
Na ponta do lápis, o litro mais barato encontrado nos postos pesquisados custou R$ 3,19 em São Paulo. O mais caro, R$ 6,59, foi registrado em Pernambuco — uma disparidade de mais de 100% entre os extremos.
Onde o etanol vence a gasolina hoje
A regra de ouro do mercado diz que o etanol compensa quando seu preço está em até 70% do valor da gasolina. Nesta semana, a paridade nacional ficou em 63,05%, favorável ao biocombustível.
Porém, a média esconde a realidade local. Em 10 estados e no DF, a conta fecha no azul para o motorista flex. Veja a paridade em cada um:
- São Paulo: 60,38%
- Mato Grosso: 61,16%
- Mato Grosso do Sul: 61,99%
- Paraná: 63,39%
- Acre: 66,21%
- Goiás: 65,17%
- Minas Gerais: 67,30%
- Bahia: 67,67%
- Rondônia: 68,46%
- Pará: 68,71%
- Distrito Federal: 66,82%
Mas o efeito mais relevante aparece nos detalhes técnicos. Executivos do setor alertam que veículos com melhor calibração para etanol podem tornar o abastecimento vantajoso mesmo com paridade acima dos 70%.
A nuance que o cálculo padrão ignora
A metodologia oficial adota o teto de 70% como referência segura para a frota geral. Contudo, motores mais modernos ou com taxa de compressão otimizada extraem mais energia do álcool, deslocando o ponto de equilíbrio para cima.
Isso significa que, em estados onde a paridade flutua entre 71% e 75%, o motorista atento ao manual do carro — e não apenas à placa da bomba — pode economizar. A diferença está no rendimento real por quilômetro rodado, não no preço do litro isolado.
O que observar nas próximas semanas
Com a safra de cana-de-açúcar no Centro-Sul avançando, a oferta tende a crescer nas próximas quinzenas, o que historicamente pressiona as cotações para baixo em São Paulo e estados vizinhos.
Por outro lado, o Norte e Nordeste dependem logística de longa distância, mantendo os patamares elevados no Amapá, Pará e Pernambuco. Para o gestor de frotas ou motorista de aplicativo, a estratégia ideal permanece: calcule a paridade local toda sexta-feira e, se o carro permitir, arrisque o etanol mesmo ligeiramente acima dos 70%.
