Economia

APAS Experience ABC: o encontro que move R$ 1,5 bi no varejo e ninguém te contou

Evento APAS Experience ABC com empresários do varejo supermercadista em networking
APAS Experience ABC reúne líderes do varejo que movimentam R$ 1,5 bi na região do ABC paulista

O varejo supermercadista do ABC paulista fatura bilhões por ano, mas a maioria dos empresários ainda decide no escuro. Nesta quarta-feira, 2 de outubro, a APAS Experience ABC abre as portas para mudar essa equação — e o que acontece lá pode definir quem cresce e quem estagna nos próximos 12 meses.

São 1,5 mil estabelecimentos e 36 mil empregos formais concentrados em uma região que pulsa consumo. O evento não é mais uma feira de networking: é onde fornecedores mostram o que chega às gôndolas antes da concorrência e onde donos de mercado acessam dados que o IBGE só publica meses depois.

Por que o ABC virou o termômetro do varejo paulista

Michael Fialho, diretor regional da APAS, resume: “O ABC tem peso grande na economia paulista. Estar aqui é levar informação, relacionamento e soluções que ajudem no dia a dia dos negócios.” Não é retórica. A região concentra redes independentes fortes, atacarejos em expansão e um consumidor que troca de bandeira por preço, sortimento e experiência — nessa ordem.

Três fatores tornam 2026 um ano decisivo:

  • Inflação de alimentos pressiona margens e exige negociação cirúrgica com indústria
  • Digitalização do PDV separa quem tem dado de quem tem “achismo”
  • Mão de obra escassa eleva custo operacional e exige automação inteligente

Conteúdo que paga a inscrição antes do café da manhã

A programação começa com Geraldo Rufino e a palestra “O Poder da Positividade”. Empreendedor serial, Rufino construiu a JR Diesel do zero após perder tudo — duas vezes. Sua trajetória não é motivação vazia: é manual de sobrevivência para quem gere caixa, estoque e gente num mercado volátil.

Na sequência, o painel sobre ambiente de negócios coloca frente a frente Scanntech Brasil (dados de sell-out em tempo real) e Frates Supermercado (varejo de chão de loja). O choque de perspectivas revela o que relatórios de consultoria omitem: a distância entre o que a indústria acha que vende e o que o consumidor realmente leva.

Feira de negócios: onde o relacionamento vira pedido de compra

Às 17h, o foco muda. A Feira de Negócios não é vitrine passiva. É onde a Kim Pães lança a linha KIM Essencial — Castanha e 19 Grãos — direto para o dono de padaria e supermercado que decide o mix na hora. Diogo Feres, gerente Comercial e de Marketing, admite: “expandir nossos negócios” é a meta. A sua deve ser testar, provar e negociar condições que não existem no catálogo.

Fornecedores regionais e nacionais ocupam o mesmo espaço. Quem chega cedo fala com o decisor. Quem chega tarde fala com o gerente.

O detalhe que separa evento de espetáculo

Ao final, todos os produtos expostos seguem para entidades assistenciais da região. Não é jogada de marketing: é logística reversa com propósito. Fialho confirma: “É uma forma de transformar a mobilização do setor em uma ajuda concreta para a comunidade.” Na prática, o estoque da feira vira doação rastreável — e o varejista sai com a certeza de que o evento deixou rastro além do CNPJ.

O que observar daqui para frente

Três sinais indicarão se a edição 2026 cumpriu a promessa:

  • Novos SKUs nas gôndolas do ABC nas próximas 6 semanas — prova de que negociações fecharam
  • Parcerias logísticas entre redes independentes e atacadistas anunciadas até dezembro
  • Adesão a plataformas de dados apresentadas no painel — métrica real de modernização

A APAS Experience ABC não resolve o varejo. Mas quem esteve lá, ouviu, provou e negociou sai com um mapa. Quem não foi segue navegando no escuro. A escolha, como sempre, é de quem assina o cheque.