Meio Ambiente

Queimadas no AM caem 39%, mas qualidade do ar segue crítica; veja o impacto

Fumaça densa encobrindo floresta amazônica com focos de incêndio visíveis ao fundo
Qualidade do ar permanece crítica no Amazonas apesar de queda de 39% nos focos de queimadas

O Amazonas registrou 2.258 focos de queimadas em outubro, uma queda de 39,4% frente ao mês anterior, segundo dados do Inpe. A redução expressiva, no entanto, não eliminou o risco à saúde da população. Nove municípios amanheceram neste sábado (31) com qualidade do ar entre moderada e muito ruim.

O cenário levanta uma dúvida imediata para quem opera na região: a fiscalização intensiva está surtindo efeito estrutural ou apenas reprimiu a ponta do iceberg?

O que os números revelam sobre a dinâmica do fogo

Em setembro, os satélites haviam captado 3.726 focos. A retração para 2.258 em outubro coincide com a vigência do Decreto Estadual nº 55.339, que proibiu o uso do fogo por 120 dias a partir de 9 de setembro. Ainda assim, o estado figura na sexta posição nacional no acumulado de 2026, com 8.515 registros.

Apenas entre quinta (29) e sexta-feira (30), surgiram 30 novos focos. O dado sinaliza que a supressão não é total e que a janela de risco permanece aberta.

Impacto direto: logística, saúde e continuidade dos negócios

A fumaça não respeita fronteiras municipais. O monitoramento do sistema Selva aponta que a qualidade do ar deteriorou-se em pontos estratégicos da economia local. Confira os municípios afetados na manhã de sábado (31):

  • Manaus (capital e hub logístico)
  • Iranduba e Parintins (índices entre ruim e muito ruim)
  • Careiro da Várzea, Itacoatiara, Silves, Itapiranga, Urucará e Barreirinha

Para o setor produtivo, isso se traduz em potenciais afastamentos por questões respiratórias, redução da visibilidade no transporte fluvial e aéreo e pressão sobre custos operacionais com EPIs e sistemas de filtragem.

Ação repressiva: R$ 8,5 milhões em multas e 916 hectares embargados

A 13ª etapa da Operação Tamoiotatá 6, conduzida pelo Ipaam entre 9 e 28 de outubro, atingiu seis municípios: Borba, Careiro, Careiro da Várzea, Beruri, Manaquiri e Autazes. O balanço financeiro e territorial da ação chama a atenção:

  • Multas aplicadas: R$ 8,5 milhões
  • Área embargada: 916,03 hectares (equivalente a cerca de 1,2 mil campos de futebol)
  • Principais infrações: desmatamento não autorizado, queima ilegal, dano à vegetação nativa e descumprimento de embargos anteriores

Desde o início da força-tarefa, 21 suspeitos foram presos. O movimento indica uma estratégia de Estado para quebrar a cadeia de comando do crime ambiental, não apenas punir o executor imediato.

O fator climático: o inverno amazônico pode não trazer alívio total

Embora o calendário aponte a aproximação do período chuvoso, projeções meteorológicas indicam precipitações abaixo da média histórica em parte da Região Norte. Se confirmado, o solo e a biomassa permanecerão secos por mais tempo, estendendo a janela de vulnerabilidade para novos focos mesmo com a proibição legal em vigor.

Mas o efeito mais relevante aparece na relação entre fiscalização e clima: a repressão atual pode estar apenas adiando a queima para meses posteriores, quando a chuva falhar.

O que observar daqui para frente

O decreto de proibição do fogo vigora até janeiro de 2027. Investidores e gestores devem monitorar três variáveis críticas nas próximas semanas: a taxa de conformidade nas áreas embargadas (se há reincidência), a evolução dos índices de chuva frente à previsão de déficit hídrico e a capacidade de resposta do sistema de saúde em Manaus e no interior diante de picos de poluição. A queda de outubro é um alívio tático, não uma vitória estratégica.