Economia

Vitória de Lula: o segredo por trás do tombo de 18% no EWZ

Gráfico mostra queda de 18% no ETF EWZ após vitória de Lula nas eleições
EWZ despenca 18,31% no after-market reagindo à vitória de Lula nas urnas

A vitória de Lula (PT) no domingo (25) disparou uma reversão violenta nos ativos brasileiros, apagando a euforia das semanas anteriores. No after-market, o ETF EWZ afundou 18,31% e o futuro do real derreteu 11,29%. Mas o susto noturno é apenas o começo do que espera o investidor na abertura desta segunda-feira (26).

O choque imediato nos números

Enquanto a apuração confirmava o resultado, o mercado futuro antecipou o pessimismo. O contrato de dólar para novembro liderou as perdas, acompanhado de perto pelas ADRs das maiores empresas listadas no exterior.

  • Petrobras (PBR): -12,92%
  • Itaú Unibanco (ITUB): -12,72%
  • Bradesco (BBD): -12,29%
  • Vale (VALE): -3,95%
  • Ambev (ABEV): -0,61%

A disparada entre setores deixa claro: o risco percebido concentra-se em estatais e bancos, sensíveis à política fiscal e de crédito. Commodities e consumo mostraram resiliência relativa.

Por que o pregão de segunda promete ser brutal

Analistas projetam a devolução integral dos ganhos acumulados desde agosto. A Bolsa subiu 15,3% e o dólar caiu 2% no período, impulsionados pela aposta na vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL).

“O primeiro impacto deve ser uma volta das taxas de juros aos patamares anteriores ao primeiro turno”, resume Luiz Ferreira, diretor do banco suíço EFG para as Américas. Ele destaca que o movimento não sinaliza recessão iminente, mas a precificação de déficits persistentes e dificuldade de governabilidade.

O medo fiscal que move a curva de juros

A continuidade do governo eleva o prêmio de risco exigido para financiar a dívida pública. Taxas de juros mais altas encarecem o crédito corporativo, comprimem margens de lucro e pressionam o Ibovespa para baixo.

Uma pesquisa do Citibank com 73 gestores desenha o cenário esperado para os próximos dias:

  • Ibovespa: 80% veem queda superior a 5%
  • Dólar: 63% apostam em alta acima de 5% (real se desvalorizando)
  • DI Jan/2029: 67% estimam alta superior a 100 pontos-base (hoje em 12,645%)

O termômetro da Faria Lima: da festa ao “ajuste brutal”

Nos grupos de mensagens do centro financeiro, o humor virou com a virada da apuração. A comemoração inicial com a liderança momentânea do candidato de oposição deu lugar à incredulidade e a termos como “a vaca vai para o brejo”.

A consolidação do resultado fez prevalecer a tese de impasse político. Para Matheus Spiess, da Empiricus Research, o Congresso e o Executivo em lados opostos travam a agenda de reformas, penalizando ativos domésticos no curto prazo.

O que separa o pânico de uma oportunidade

O pessimo de curto prazo não é unanimidade para o horizonte de 12 a 24 meses. A Suno Research lembra que, em 2023, a aprovação do arcabouço fiscal reverteu o cenário negativo inicial. O economista-chefe Gustavo Sung aponta: “Precisamos acompanhar como o governo se organiza para 2027. Esse é o ponto para o qual mais chamamos atenção”.

Paula Zogbi, da Nomad, resume a régua do mercado: “2026 ainda tem fôlego para boa-fé, mas, em 2027, é o concreto ou nada”. Se as medidas fiscais não aparecerem, a volatilidade retorna com força, dada a urgência da trajetória da dívida.

O que observar daqui para frente

O foco deixa de ser o resultado das urnas e passa a ser a composição da equipe econômica e os primeiros sinais de política fiscal. O investidor deve monitorar: a sinalização sobre a meta de resultado primário, a relação do Planalto com as lideranças do Congresso e a velocidade de envio de propostas de contenção de despesas. A reação de segunda-feira será técnica; a tendência dos próximos meses será política.