As campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro formalizaram nesta quinta-feira (22) um termo de abertura simultânea de sigilos bancário, fiscal e telefônico — com prazo até as 23h59 de hoje. O documento já está nas mãos do ministro André Mendonça, relator no TSE, e sua análise definirá os próximos passos de uma disputa que escalou nos últimos dias.
O que parecia improvável no domingo virou papel assinado em menos de uma semana. Mas o diabo mora nos detalhes: o acordo cobre não apenas os candidatos, mas familiares e empresas ligadas a eles.
O que o termo prevê na prática
O texto protocolado no Tribunal Superior Eleitoral autoriza a “abertura total e simultânea dos respectivos sigilos”, nas palavras do próprio documento. A quebra atinge contas bancárias, declarações fiscais e registros telefônicos de ambos os postulantes ao Planalto.
A amplitude chama atenção: parentes diretos e pessoas jurídicas controladas pelos candidatos entram no pacote. Não é apenas uma vitrine de transparência — é um raio-X patrimonial e relacional.
Os nomes que pesaram na negociação
Dois pontos travaram as conversas até a madrugada. De lado a lado, exigiram-se contrapartidas sensíveis:
- Lado Flávio: inclusão da Alcazar Holdings, do advogado Willer Tomaz — amigo do candidato e alvo de inquérito no STF por suspeita de lavagem de dinheiro.
- Lado Lula: quebra do sigilo do ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Santana Ribeiro (conhecido como Marcola), além da divulgação dos gastos com cartões corporativos da Presidência e da agenda da primeira-dama Janja Lula da Silva.
Ambas as condições foram aceitas. O termo resultante reflete um empate forçado: ninguém cedeu sem levar algo equivalente.
Quem esteve no TSE e o que disseram
A entrega do acordo mobilizou as duas estruturas de campanha. Pelo lado petista, compareceram o senador Camilo Santana (coordenador da campanha), o presidente do PT Edinho Silva, o secretário-geral da Presidência Guilherme Boulos e a deputada Camila Jara (PT-MS).
Pela campanha de Flávio, a advogada Maria Cláudia Bucchianeri e o senador eleito Deltan Dalagnol (Novo-PR) assinaram presença. A cena, incomum pela proximidade de adversários diretos, durou poucos minutos.
Cronologia de um desafio virado acordo
Tudo começou no domingo (18), durante debate na Band. Lula lançou o desafio público: abertura simultânea de dados. Na terça (20), a campanha petista protocolou autorização unilateral condicionada à reciprocidade. Quarta-feira houve idas e vindas jurídicas. Quinta, o termo conjunto.
O calendário apertado — assinatura, protocolo e análise no mesmo dia — pressiona o ministro Mendonça. A decisão dele pode sair a qualquer momento.
O que observar nas próximas horas
Três variáveis definirão o impacto real desta quinta-feira:
- Horário da manifestação de Mendonça — se antes ou depois das 23h59.
- Se a abertura será de fato simultânea ou escalonada por questões técnicas.
- Reação do mercado e do eleitorado indeciso aos dados que vierem a público.
O acordo não garante que tudo será revelado hoje. Mas tirou a iniciativa das especulações e colocou o relógio para correr. Quem acompanha a reta final do segundo turno tem agora um parâmetro concreto: a transparência virou cláusula contratual, não mais retórica de palanque.
