Economia

Pânico na Ásia: Chips derretem 11% e bilhões evaporam na IA

Bolsa asiática em pânico: gráficos vermelhos mostram queda de 11% em chips SK Hynix e Samsung, Kospi -7,7%
Índice Kospi afunda 7,7% e ações de semicondutores derretem 11% após CPI quente e IA decepcionante nos EUA.

Os mercados asiáticos abriram esta quinta-feira (15) em queda livre, arrastados pelo tombo histórico dos semicondutores em Wall Street. O gatilho foi a combinação tóxica de inflação americana resistente e lucros decepcionantes no setor de inteligência artificial.

Em Seul, o índice Kospi despencou 7,7%, protagonizando a sessão mais dramática. A SK Hynix afundou quase 11% e a Samsung Electronics recuou 9,3%, apagando meses de ganhos em poucas horas.

O estopim: inflação quente e IA fria

O CPI dos EUA veio a 3,7% em setembro, acima das apostas do mercado, turbinado pela alta dos combustíveis após a escalada no Irã. Ao mesmo tempo, a Anthropic reportou resultados abaixo do esperado, jogando um balde de água fria na narrativa de lucros infinitos da IA.

Para Hao Hong, da Lotus Asset Management, a soma dos dois fatores quebrou a complacência: juros altos por mais tempo reduzem o valor presente dos fluxos de caixa futuros das big techs.

Efeito dominó: Tóquio e Xangai sangram junto

O contágio foi imediato. Em Tóquio, o Nikkei 225 cedeu 4,5%, com a SoftBank — grande acionista da OpenAI — derretendo quase 10%. A Kioxia, gigante de memórias, perdeu 11%.

Na China continental, o CSI 300 tocou o menor nível desde agosto de 2025, caindo 1,8%. O índice STAR 50, focado em tecnologia, devolveu 2,4% e zerou os ganhos do ano. Hong Kong acompanhou com queda de 1% no Hang Seng.

Venda forçada e fuga de capital estrangeiro

Segundo Song Zhe, da BNP Paribas Asset Management, o movimento não é apenas medo: é mecânica de portfólio. Seguradoras e fundos institucionais chineses estão sendo obrigados a liquidar posições para cumprir regras de risco em mercado baixista.

“As pessoas estão simplesmente um pouco em pânico neste momento”, resumiu o gestor.

Na Coreia, a pressão vem de fora. Chan Lee, da Petra Capital Management, aponta que a liquidação reflete saída de capital estrangeiro, não uma revisão estrutural da tese de IA de longo prazo.

O rali que virou pesadelo

O tombo ganha contornos históricos quando se olha para o retrovisor. Impulsionado pela euforia com IA, o Kospi saltou de menos de 2.300 pontos em abril de 2025 para mais de 9.300 em junho deste ano — uma multiplicação rara em mercados desenvolvidos.

Desde os picos, a conta é cruel para quem comprou no topo:

  • SK Hynix: queda acumulada de 58%
  • Samsung Electronics: recuo de 44%

Setores adjacentes também pagam o pato

A onda vendedora não poupou a cadeia de suprimentos. A Samsung Electro-Mechanics, fornecedora de componentes para servidores de IA, caiu 15%. A Hyosung Heavy Industries, beneficiada pela demanda por equipamentos de energia para data centers, recuou 13%.

O que observar daqui para frente

A fronteira entre correção saudável e mudança de tendência passa por dois vetores: o fluxo de capital externo na Coreia e a trajetória dos juros nos EUA. Se a inflação fizer o Fed segurar taxas elevadas, a compressão de múltiplos nas ações de IA tem espaço para continuar. O alívio virá apenas com dados de preços mais brandos ou resultados que provem que a receita da IA sustenta as valorizações passadas.