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Direita x Esquerda: O abismo nos gastos que decidiu a eleição em SP

Gráfico comparativo de gastos de campanha: direita investe em impulsionamento digital, esquerda em material impresso
Deputados de direita destinam até 61% do orçamento a anúncios online, enquanto esquerda prioriza santinhos e gráficas.

Os seis deputados mais votados de São Paulo somam 18 milhões de seguidores no Instagram, mas a semelhança para por aí. Na prestação de contas, a direita destinou até 61% do orçamento ao impulsionamento digital, enquanto a esquerda priorizou gráficas e santinhos. A diferença expõe duas visões de marketing político que movimentaram milhões.

O levantamento das contas entregues à Justiça Eleitoral revela um racha estratégico: quem nasceu nas redes governa pelo algoritmo; quem tem raiz no território aposta no corpo a corpo impresso. O custo por voto varia drasticamente entre os polos.

A máquina digital da direita: metade do orçamento no algoritmo

Lucas Pavanato (PL), recordista histórico com 3 milhões de votos, é o símbolo dessa tática. Dos R$ 2,7 milhões declarados, R$ 1,35 milhão — exatamente 50% — financiaram ações digitais e impulsionamento. Ele entrou na disputa já com 5,5 milhões de seguidores, transformando a base pré-existente em capital eleitoral direto.

A dobradinha funcionou: Eduarda Campopiano (PL), 23 anos, seguiu o mesmo script. Com R$ 654 mil no total, ela direcionou R$ 400 mil (61%) para as redes. A deputada estadual mais votada do país carregava 2,5 milhões de seguidores no Instagram antes mesmo da posse. Para ambos, o custo logístico de distribuição física foi substituído pelo custo de mídia paga.

O ponto de equilíbrio tático de Kataguiri

Kim Kataguiri (Missão) ocupou o meio-termo. Reeleito com 520 mil votos, ele dividiu as fichas: R$ 118 mil no digital (25%) contra R$ 116 mil em material gráfico e postagem (24,7%). A estratégia híbrida sugere uma transição: mantém a relevância online, mas não abre mão da estrutura física de campanha tradicional.

A esquerda e a aposta no ‘santinho’ físico

Do outro lado, Erika Hilton (PSOL) — a mais votada do campo progressista com 1,59 milhão de votos — aplicou apenas 11,5% (R$ 188 mil) em digital. O grosso, R$ 453 mil (27,8%), foi para material gráfico. Mesmo com 5,3 milhões de seguidores, a campanha entendeu que a conversão offline ainda exige papel.

Sâmia Bomfim (PSOL) reforçou o padrão. Com 583 mil votos, gastou R$ 400 mil no digital (20%), mas R$ 775 mil (39%) em impressos. A despesa total, de quase R$ 2 milhões, mostra que a estrutura de militância e distribuição física segue pesada no orçamento progressista.

O caso à parte: Suplicy e a eficiência extrema

Eduardo Suplicy (PT), aos 85 anos, quebrou todas as métricas de custo. Reeleito com 654 mil votos, a campanha custou R$ 97,8 mil. Desse total, R$ 30 mil foram para o digital (30,6%) e apenas R$ 2 mil para gráfica. O nome consolidado dispensa apresentações — e custos — seja no online ou no offline.

Resumo dos investimentos por candidato

  • Lucas Pavanato (PL): 50% Digital | 13% Gráfico | R$ 2,7 mi total
  • Eduarda Campopiano (PL): 61% Digital | 11% Gráfico | R$ 654 mil total
  • Kim Kataguiri (Missão): 25% Digital | 25% Gráfico | R$ 469 mil total
  • Erika Hilton (PSOL): 11,5% Digital | 28% Gráfico | R$ 1,6 mi total
  • Sâmia Bomfim (PSOL): 20% Digital | 39% Gráfico | R$ 1,9 mi total
  • Eduardo Suplicy (PT): 31% Digital | 2% Gráfico | R$ 98 mil total

O que observar nas próximas disputas

A polarização orçamentária tende a se acentuar. Candidatos “nativos digitais” entram com custo de aquisição de voto menor no online, mas dependem de manutenção constante de audiência. Já as estruturas partidárias tradicionais ainda veem no material impresso a garantia de capilaridade nos grotões onde o 4G falha.

Para estrategistas e investidores, o sinal claro está na hibridização: Kataguiri pode ser o protótipo do futuro. Quem conseguir converter follower em volante de distribuição física — e vice-versa — reduzirá a dependência de um único canal. O custo por voto, hoje invisível no agregado, será a métrica decisiva da próxima corrida eleitoral.