Economia

Mineração de Bitcoin fatura US$ 1,12 bi em setembro: o alívio que ninguém esperava…

Mineradores de Bitcoin celebram receita recorde de US$ 1,12 bilhão em setembro de 2026
Receita de mineração de Bitcoin atinge US$ 1,12 bi em setembro, melhor mês desde janeiro.

Os mineradores de Bitcoin embolsaram US$ 1,12 bilhão em setembro, o melhor resultado mensal desde janeiro. A marca surpreende porque veio sem uma explosão no hashrate e com a dificuldade da rede praticamente estagnada. O que isso sinaliza para quem opera ou investe no setor?

O número coloca setembro no topo do pódio de 2026, atrás apenas dos US$ 1,15 bilhão de janeiro. Maio, até então vice-líder, ficou em US$ 1,08 bilhão. A recuperação não foi por acaso: o hashprice — receita diária por petahash — saltou 22% no começo do mês e se manteve na casa dos US$ 40/PH/s durante a maior parte do período.

Por que o hashprice de US$ 40 muda o jogo

Para uma fazenda que roda centenas de petahash, cada dólar a mais no hashprice representa milhares de dólares por dia. Em setembro, o indicador tocou máxima de 30 dias a US$ 41,51 e piso a US$ 37,45. A estabilidade acima de US$ 40 devolve fôlego a operações que, em junho, viam o mesmo indicador abaixo de US$ 30.

  • Pico do mês: US$ 41,51/PH/s
  • Piso do mês: US$ 37,45/PH/s
  • Média prática: ~US$ 40/PH/s

Essa faixa permite que mineradores com energia competitiva voltem a ter margem positiva sem depender de valorização agressiva do BTC. Mas o alívio tem prazo de validade.

Dificuldade travada: o menor ajuste do ano

No bloco 969.696, a dificuldade recuou míseros 0,03%, para 132,72 trilhões. Foi a variação mais tímida de 2026. Para comparação, em junho o mesmo ajuste derrubou a dificuldade em 10,09% depois que o hashrate encolheu.

O balanço do ano até aqui mostra 19 ajustes: oito altas (ganho cumulativo de 33,34%) e onze quedas (perda de 45,30%). No agregado, a dificuldade ainda acumula queda líquida de 11,96% em 2026. Isso significa que, na prática, a mesma máquina mina mais BTC hoje do que em janeiro — desde que o preço da moeda coopere.

O que os blocos de 10min48s revelam

Blocos saindo em média a cada 10 minutos e 48 segundos indicam que o hashrate real da rede está ligeiramente abaixo do equilíbrio teórico de 10 minutos. A potência total segue abaixo de 1.000 EH/s (1 ZH/s). O próximo ajuste, previsto para meados de outubro, deve trazer nova redução marginal se o ritmo se mantiver.

Mas o efeito mais relevante aparece fora da mineração pura.

A fuga silenciosa para infraestrutura de IA

Grandes players não esperam o próximo ciclo do Bitcoin. Neste verão, mineradores fecharam contratos equivalentes a US$ 150 bilhões ligados a computação de alto desempenho e inteligência artificial, cobrindo mais de 7,5 GW de capacidade elétrica já instalada.

A lógica é simples: a infraestrutura de energia barata e resfriamento robusto vale mais para data centers de IA do que para hashrate volátil. Setembro ajuda no caixa, mas não inverte a tendência de diversificação.

O que observar daqui para frente

Três variáveis vão ditar se outubro repete ou apaga o alívio de setembro: o preço do BTC sustentando o hashprice acima de US$ 40, o custo da eletricidade nas principais regiões produtoras e o ritmo de entrada de novas máquinas da geração mais eficiente. Se o hashrate disparar sem alta no BTC, a margem comprime de novo. O próximo ajuste de dificuldade, em torno de 18 de outubro, será o primeiro termômetro.