O Multiverso das Letras reduziu em 70% o custo de sua operação logística ao substituir parte do transporte rodoviário por cabotagem na costa brasileira. A mudança, feita em parceria com a Aliança Navegação e Logística — braço de navegação costeira do grupo A.P. Moller–Maersk —, reorganizou toda a cadeia de suprimentos do conglomerado editorial.
O resultado aparece nos números: em 2024, a operação movia 60 carretas por ano. Em 2025, saltou para 84 contêineres, totalizando 1.847.130 livros transportados em 126 carretas. A eficiência ganhou escala sem perder capilaridade.
Por que a cabotagem fez diferença agora
O Brasil tem mais de 8.500 km de costa navegável, mas a cabotagem ainda responde por fração pequena da matriz de transporte de cargas. Para o Multiverso das Letras, que reúne cinco editoras, uma plataforma de e-commerce e centro logístico próprio operado pela Multilivros, o modal marítimo resolveu dois gargalos simultâneos: custo por quilômetro e previsibilidade de prazo.
“Diante dos desafios de custos, prazos e das dimensões do Brasil, precisávamos encontrar uma alternativa que gerasse mais eficiência e segurança para a nossa operação”, afirma Rossard Oliveira, Diretor de Logística do grupo.
A arquitetura multimodal por trás do ganho
A Aliança não apenas colocou navios na rota. A empresa integrou quatro elos da cadeia em um único fluxo coordenado:
- Transporte marítimo de longo curso — importação de papel e insumos
- Cabotagem — deslocamento costeiro entre portos brasileiros
- Rodoviário — primeira e última milha (porto a centro de distribuição, CD a clientes)
- Armazenagem — gestão de estoque nos pontos de conexão modal
O navio Fernão de Magalhães, que opera a rota costeira da Aliança, passou a funcionar como extensão flutuante do centro de distribuição do grupo editorial.
O efeito nas editoras menores do grupo
Cada uma das cinco editoras do Multiverso das Letras tem perfil de demanda distinto — didáticos, literatura infantil, paradidáticos, materiais de apoio. A integração multimodal permitiu sincronizar reposição de estoque entre elas sem depender de caminhões dedicados por título.
Antes, uma editora com demanda sazonal alta precisava fretar veículos inteiros. Agora, o contêiner compartilhado na cabotagem dilui o custo fixo entre todas as marcas do grupo.
O que observar daqui para frente
A operação ainda está no primeiro ano completo sob o novo modelo. O próximo teste virá com a sazonalidade de volta às aulas 2026, quando o volume de livros didáticos pressiona prazos curtos e janelas de entrega rígidas. Se a cabotagem mantiver a regularidade nas janelas de porto e a integração com o modal rodoviário não criar gargalos nas primeiras e últimas milhas, a redução de 70% pode se consolidar como novo patamar — e não apenas pico pontual.
Para gestores de supply chain em outros setores, o caso sinaliza que a cabotagem deixa de ser alternativa de nicho quando há volume recorrente, origem e destino próximos a portos estruturados, e parceiro logístico capaz de costurar os modais sem perder visibilidade da carga.
