Mais de um milhão de pessoas iniciam o domingo de eleição sem energia elétrica no Sul do Brasil. A culpa é de uma frente fria que varreu a região entre a tarde de sábado e a madrugada, deixando um rastro de destruição na rede de distribuição. O Paraná concentra o epicentro do caos.
Dados da ANEEL às 7h30 apontavam 310 mil unidades consumidoras desligadas — número que, na prática, ultrapassa um milhão de habitantes. A pergunta que fica: quanto tempo levará para a normalidade voltar justamente no dia em que o país vai às urnas?
Paraná vive o pior cenário entre os três estados
O estado responde por 227 mil das ligações cortadas, todas na área da Copel. Isso equivale a quase 5% de toda a base de clientes da concessionária e atinge diretamente cerca de 900 mil paranaenses. Oito dos dez municípios com maior volume de afetados no país estão no território paranaense.
- Laranjeiras do Sul — topo da lista nacional
- Foz do Iguaçu e Quedas do Iguaçu — na sequência
- Guarapuava, Campina da Lagoa, Guaraniaçu, Pérola e Cascavel — completam o ranking
Vendavais locais superaram 110 km/h. Em Dois Vizinhos, a rajada chegou a 112 km/h; em Laranjeiras do Sul, 111 km/h. A infraestrutura não suportou.
Santa Catarina e Rio Grande do Sul também contabilizam prejuízos
No Oeste catarinense, a Celesc registrava 45 mil clientes sem luz nas primeiras horas da manhã. O vento bateu 100 km/h em Chapecó e passou de 70 km/h em pelo menos outras quatro cidades monitoradas.
Já no Rio Grande do Sul, somam-se 33 mil unidades desligadas: 19 mil na área da RGE e 14 mil na CEEE Equatorial. A maior rajada do episódio todo ocorreu em solo gaúcho — 119 km/h em São Borja, seguida por 114 km/h em Jóia.
O que muda para quem precisa votar hoje
Locais de votação sem gerador próprio dependem do restabelecimento ou de soluções alternativas. Tribunais regionais já foram acionados para avaliar prorrogação de horário em seções atingidas, mas não há decisão unificada até o momento.
Empresas de logística e comércio varejista nas áreas críticas operam no prejuízo desde a madrugada. Cada hora de parada, em dia de fluxo elevado, amplia a conta.
Próximas horas: o que observar
Equipes de campo das três concessionárias trabalham com efetivo ampliado, mas o acesso a trechos rurais segue dificultado por quedas de árvores e postes. A previsão indica tempo firme nas próximas 24 horas — janela decisiva para a recomposição da rede.
Quem está no escuro deve priorizar canais oficiais (apps e 0800 das distribuidoras) para registrar a ocorrência. O volume de chamados ainda é altíssimo e a fila de atendimento, longa.
Para investidores e gestores de risco, o episódio reforça a vulnerabilidade de redes aéreas expostas a eventos climáticos cada vez mais extremos — tema que deve voltar à pauta regulatória nos próximos meses.
