Guilherme Derrite (PP) aparece na frente na corrida pelo Senado em São Paulo com 40,8% das intenções de voto, segundo pesquisa Futura/100% Cidades divulgada nesta sexta-feira (2). O detalhe decisivo, porém, não está na liderança: quase 40% do eleitorado ainda não sabe em quem votar ou prefere anular o voto. Esse vácuo transforma a disputa em uma incógnita real para quem acompanha o tabuleiro político e seus reflexos na economia.
Na sequência, três nomes formam um bloco técnico de empate: Marina Silva (Rede) com 36,2%, Simone Tebet (PSB) com 35,5% e André do Prado (PL) com 32,8%. A margem de erro de 2,4 pontos percentuais coloca os quatro pré-candidatos em situação de igualdade competitiva.
Os números que colocam quatro nomes no mesmo patamar
O levantamento ouviu 1.600 eleitores entre 29 de setembro e 1º de outubro, por telefone. O registro no TSE é o SP-00453/2026. Veja a estratificação do pelotão de frente:
- Guilherme Derrite (PP): 40,8%
- Marina Silva (Rede): 36,2%
- Simone Tebet (PSB): 35,5%
- André do Prado (PL): 32,8%
Abaixo desse grupo, a fragmentação é total. Ricardo Salles (Novo) foi testado e marcou 3,1%, apesar de já ter anunciado desistência. Os demais somam percentuais residuais, todos abaixo de 3%.
Por que o empresariado deve prestar atenção no ‘vazio’ eleitoral
Votos em branco, nulos e “ninguém” somam 18,9%. Indecisos e “não souberam responder” atingem 20,6%. Juntos, representam 39,5% do eleitorado paulista — o maior “candidato” da disputa. Para investidores e gestores, isso sinaliza instabilidade regulatória e dificuldade de prever a composição do Congresso a partir de 2027.
Sem definição clara do eleitorado, a formação de maiorias no Senado para pautas econômicas — como reforma tributária complementar, arcabouço fiscal e marco regulatório de setores estratégicos — fica refém de articulações de última hora. O risco de volatilidade nas votações de interesse do setor produtivo aumenta proporcionalmente à indecisão atual.
O nome testado que saiu e o peso da máquina partidária
A inclusão de Ricardo Salles no questionário, mesmo após a desistência pública, serve como termômetro do capital eleitoral que o PL ainda detém no estado. Seu baixo desempenho (3,1%) sugere que a transferência de votos do bolsonarismo raiz para um nome alternativo não é automática.
Por outro lado, André do Prado carrega a estrutura do PL paulista e a presidência da Alesp. Seus 32,8% refletem, em parte, a capilaridade partidária. A dinâmica entre a máquina do PL e o recall de Derrite — ex-secretário de Segurança com alta exposição midiática — definirá se o campo da direita se consolida em um único nome ou racha a vaga.
Metodologia e o que ela não captura
A coleta por telefone tende a sub-representar parcelas mais jovens e conectadas, justamente o público de difícil acesso para pesquisas tradicionais. O intervalo de confiança de 95% garante robustez estatística, mas não elimina o viés de não-resposta, que costuma ser alto em levantamentos telefônicos pós-pandemia.
Além disso, o cenário testado não reflete necessariamente a chapa final. Alianças nacionais, definições de suplência e eventuais desistências estratégicas podem redesenhar o mapa até as convenções de 2026.
O que observar daqui para frente
Três variáveis ditarão os próximos movimentos: a definição do palanque do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), o grau de intervenção do Planalto na costura de uma chapa única de centro-esquerda e a capacidade de Derrite converter recall de gestão em intenção de voto consolidada. Enquanto o eleitorado paulista não “quebrar” a indecisão, qualquer projeção de maioria no Senado para 2027 permanece, no mínimo, arriscada.
