Tecnologia

Leapmotor prepara “dobradinha” elétrica abaixo de R$ 200 mil para 2027; veja os detalhes

Leapmotor B10 e C10 elétricos compactos frente a frente em ambiente urbano brasileiro
Novos compactos elétricos Leapmotor chegam ao Brasil abaixo de R$ 200 mil em 2027.

A Stellantis confirmará a chegada de dois novos compactos 100% elétricos da Leapmotor ao Brasil no primeiro trimestre de 2027. A estratégia mira o segmento de maior volume do mercado, hoje dominado por BYD e GAC, com preços projetados entre R$ 150 mil e R$ 200 mil. O movimento sinaliza uma mudança agressiva de posicionamento da marca chinesa no país.

Até agora, a operação local se restringia aos SUVs médios B10 e C10. A expansão para hatches e SUVs de entrada altera completamente a dinâmica competitiva para concessionárias e frotistas. Mas o verdadeiro diferencial está na tecnologia embarcada de série.

O hatch que promete autonomia real acima de 500 km

Conhecido globalmente como B03 ou A05, o hatch mede 4,17 metros de comprimento e 2,60 m de entre-eixos. São dimensões ideais para o trânsito urbano, mas com espaço interno superior a rivais diretos como o BYD Dolphin. A plataforma permite duas configurações de powertrain, ambas com tração dianteira.

Os números de fábrica (ciclo CLTC chinês) indicam desempenho competitivo:

  • Versão de acesso: 95 cv, 15,3 kgfm, bateria de 39,8 kWh e até 405 km de alcance.
  • Versão topo: 121 cv, mesmo torque, bateria de 53 kWh e até 510 km de autonomia.

O pacote de assistência ao condutor (ADAS) é o grande chamariz. Frenagem autônoma, controle de cruzeiro adaptativo, visão 360° com “chassi transparente” e estacionamento remoto memorizado (até 120 metros em ré) virão de série. Itens que, na concorrência, costumam ficar restritos às versões mais caras.

SUV compacto mira o Yuan Pro com mais potência

O Leapmotor A10 posiciona-se abaixo do B10. Com 4,27 m de comprimento e mesmo entre-eixos de 2,60 m, ele entra na briga direta com o BYD Yuan Pro e o futuro Geely EX2. A diferença está na força do motor elétrico.

Mesmo a versão de entrada entrega 176 cv e 20,4 kgfm com bateria de 39,8 kWh (405 km CLTC). A configuração topo sobe para 197 cv, mesma bateria de 53 kWh do hatch, e alcança 500 km no ciclo chinês. O torque superior ao do hatch garante respostas mais vigorosas em ultrapassagens e subidas.

O pacote ADAS replica o do irmão menor: ACC, manutenção de faixa, frenagem autônoma e monitoramento de ponto cego. A estratégia é clara: democratizar tecnologia de nível 2+ no ticket de entrada.

Impacto direto na tabela de preços do segmento

Se confirmados os valores apurados — R$ 150 mil a R$ 170 mil para o hatch e R$ 180 mil a R$ 200 mil para o SUV —, a Leapmotor comprime a margem dos concorrentes estabelecidos. O BYD Dolphin, referência atual, parte hoje de casa dos R$ 150 mil sem o mesmo nível de ADAS de série.

Para o empresário do setor automotivo, três variáveis merecem monitoramento:

  • Possível nacionalização de componentes para reduzir IPI e ganhar competitividade.
  • Reação da Caoa Chery e GAC, que também preparam compactos elétricos nacionais.
  • Capacidade da rede Stellantis de absorver volume de pós-venda para modelos de alto giro.

O que observar nos próximos 18 meses

A janela até o lançamento oficial no Q1 de 2027 será decisiva. A definição dos nomes comerciais para o Brasil, a homologação final das baterias sob regras do Inmetro (que reduzem a autonomia oficial frente ao CLTC) e a estruturação da rede de carregamento rápido parceira ditarão o sucesso real da empreitada. Quem atua em frotas corporativas ou varejo de seminovos já pode começar a modelar cenários de depreciação e custo total de propriedade (TCO) baseados nesses parâmetros técnicos.