Eduardo Costa da Silva, o Eduardinho dos Teclados, transformou uma música sobre Vinícius Júnior em uma agenda de 30 shows mensais. Mas o caminho até aqui passou por portas fechadas e preconceito que ele transformou em combustível.
O hit que virou “virada de chave”
“Baile do VJ”, composição de Daniel Mendes inspirada no atacante do Real Madrid, explodiu nas redes sociais no início do ano. O fôlego extra veio com a atuação de Vini Jr. pela Seleção na Copa do Mundo de 2026. Resultado: o baiano de 31 anos saiu do extremo sul da Bahia para palcos no Tocantins, Alagoas, Pará e Minas Gerais.
O artista nunca conheceu o jogador pessoalmente, mas brinca: “Acho que ele já deve ter visto, fez até a dancinha”. A conexão com o futebol, paixão antiga do cantor, deu ao single uma identificação imediata com o público.
Autodidata aos 5 anos, profissional aos 16
Natural do distrito de Gabiarra, em Eunápolis, Eduardinho nasceu com deficiência visual. “Meus ouvidos sempre foram meus olhos”, resume. Aos 5 anos já tocava cavaquinho; na adolescência, descobriu o teclado em uma igreja católica. Teve 15 dias de aula formal com uma prima — o resto aprendeu sozinho, de ouvido.
Aos 16 anos, começou a carreira em bares, casamentos e serestas na região. Repertório: Pablo do Arrocha, Tayrone, voz e teclado apenas. A estrutura era mínima, a credibilidade, zero.
Quando o preconceito fecha as portas
Produtores de eventos recusavam o trabalho. O argumento: falta de estrutura e a deficiência visual. “As pessoas não acreditavam muito no meu trabalho”, admite. O abalo foi real, mas a convicção, anterior: “Desde os 5 anos eu já acreditava que tinha capacidade. A deficiência não atrapalhou, foi um incentivo”.
Como a equipe faz o palco “enxergável”
Com média de 30 apresentações por mês, a logística de acessibilidade virou rotina. A banda e a equipe realizam um “mapeamento” do palco antes de cada show: passagem de som, checagem de equipamentos, referências táteis e sonoras. Mas o verdadeiro guia é a plateia.
- Reação do público: o cantor lê a energia pela resposta sonora da plateia.
- Entrega proporcional: “Quando a galera está bem animada, aí você vai para cima com tudo”.
- Experiência extrema: já cantou para 7 mil pessoas no São João de Eunápolis — e já tocou para plateia vazia.
O que vem depois do viral
O projeto “Baile do Eduardinho” ganha corpo. Há planos para gravar um DVD e fechar feats com outros artistas. “Agora a gente tem uns ‘feats’ para fazer, então estou deixando rolar”, simplifica o cantor.
O que observar daqui para frente
O caso ilustra como um ativo de marca — a música atrelada a um ídolo global — pode escalar um negócio de entretenimento local para operação nacional em meses. Para gestores e investidores, três variáveis merecem monitoramento: capacidade de converter viralização em receita recorrente (agenda cheia), estruturação de equipe para acessibilidade como diferencial operacional e longevidade do repertório além do hit inicial. O próximo DVD e as colaborações programadas dirão se o “Baile” vira turnê sustentável ou fenômeno de um verão só.
