Economia

Caiado chama fim das bets de ‘oportunista’ e revela plano gradual que ninguém esperava…

Ronaldo Caiado discursa em coletiva após missa em Goiânia sobre fim das bets
Governador Ronaldo Caiado critica fim das apostas esportivas e propõe transição regulada após missa em Goiânia.

Ronaldo Caiado classificou a decisão do governo de encerrar as apostas esportivas como um movimento oportunista e apresentou uma alternativa que foge do discurso proibicionista. O governador de Goiás e pré-candidato à Presidência pelo PSD defende uma transição regulada, com etapas claras de educação e controle da publicidade antes de qualquer endurecimento.

A declaração ocorreu neste domingo (27), após missa na Igreja de Nossa Senhora Aparecida e Santa Edwiges, em Goiânia. Acompanhado da família, Caiado atendeu fiéis e, na coletiva posterior, posicionou-se como o único presidenciável com proposta estruturada para o setor no plano de governo.

Por que a proibição imediata preocupa o pré-candidato

Para Caiado, o fim abrupto das bets cria vácuo regulatório e empurra o mercado para a ilegalidade. O argumento central: sem transição, apostadores migram para plataformas não fiscalizadas, sonegam impostos e ficam sem proteção contra fraudes ou vício.

A abordagem defendida prevê três pilares iniciais:

  • Campanhas educativas de grande alcance sobre riscos do jogo patológico
  • Restrição progressiva da publicidade em horários de grande audiência
  • Limites de depósito e perdas baseados em perfil de renda do apostador

Somente após a consolidação dessas medidas, novas camadas de controle seriam avaliadas — sempre com dados de adesão e impacto social.

O peso eleitoral de um tema invisível nos demais programas

Enquanto concorrentes evitam o assunto ou adotam retórica moralista, Caiado aposta na regulação como bandeira de modernização do Estado. A arrecadação tributária do setor, estimada em bilhões anuais, financaria saúde mental, fiscalização e programas de prevenção ao vício.

Essa posição também dialoga com setores do agronegócio e empresariado goiano, que veem na tributação ordenada uma fonte de receita previsível — alternativa a aumentos de impostos tradicionais.

O que muda se a proposta avançar no Congresso

Caso a tese da transição regulada ganhe tração legislativa, o cronograma seria:

  • Primeiros 180 dias: only plataformas já licenciadas operam; publicidade restrita a canais segmentados
  • Até 12 meses: implementação de limites individuais via CPF e integração com banco de dados de proteção ao consumidor
  • Segundo ano: avaliação de resultados — redução de ludopatia, arrecadação efetiva, migração para mercado legal

O modelo espelha experiências de Portugal e Reino Unido, onde a regulação gradual reduziu mercado ilegal em mais de 60% em cinco anos.

O que observar daqui pra frente

A tramitação de qualquer marco regulatório dependerá de articulação no Congresso, onde bancadas evangélicas e liberais travam embate há anos. Caiado sinaliza que, se eleito, usará o peso do Palácio do Planalto para costurar maioria em torno do texto de transição — mas o primeiro teste será a receptividade da proposta entre governadores de outros estados, peça-chave na federação. Enquanto isso, o mercado segue em limbo: operadores aguardam sinalização clara para investir em compliance ou planejar saída.