A vice-presidente de marketing do Grupo Boticário, Renata Gomide, passa a assinar coluna mensal no C-Level a partir desta sexta-feira (25). A executiva comanda a divisão Consumer — responsável por inteligência de mercado, produto, precificação e fidelização — e promete tratar dos dilemas que tiram o sono de qualquer líder hoje.
Não é apenas mais um espaço de opinião. Gomide traz para a mesa a prática de quem gere uma das maiores máquinas de consumo do país. O foco declarado: traduzir a transformação dos negócios sem cair no lugar-comum.
O alcance real da cadeira que ela ocupa
Liderar o braço Consumer do Boticário significa tocar a ponta da lança: a relação direta com o consumidor final. São decisões que movem bilhões em faturamento e definem como marcas como Eudora, Quem Disse, Berenice? e a própria O Boticário ocupam a prateleira — física e mental — do brasileiro.
Na prática, ela supervisiona o ciclo completo: do dado bruto à campanha publicitária, passando pela definição de preço e pelo programa de fidelidade. É uma visão 360º que poucos executivos no país possuem.
Da insegurança da gravidez à liderança humanizada
A trajetória até aqui carrega um ponto de inflexão raro no alto escalão. Em 2015, véspera de assumir a comunicação da Eudora, Gomide descobriu a primeira gravidez. A reação imediata foi dúvida: aceitar o salto na carreira ou priorizar a gestação?
Ela aceitou os dois. Hoje, mãe de duas meninas, resume a lição: não existe equilíbrio perfeito, apenas escolhas e ajustes constantes. “Já houve momentos em que precisei dedicar mais energia ao trabalho e outros em que a prioridade foi estar presente para minhas filhas”, afirma.
Essa vivência moldou uma cobrança interna: criar ambientes onde nenhuma mulher precise optar entre a oportunidade profissional e a maternidade. A maratona — ela é corredora de longas distâncias — funciona como metáfora para sua gestão: ritmo, resistência e times diversos para evitar o colapso.
Os três eixos que vão ditar a coluna
Gomide antecipou os pilares que nortearão seus textos. São temas centrais para quem comanda times, orçamentos ou estratégia:
- IA na jornada de decisão: como a inteligência artificial reescreve a descoberta e a escolha do consumidor — e onde o humano continua insubstituível.
- Marca sem ego executivo: a construção de identidade baseada em dado e desejo real do cliente, não no gosto pessoal de quem assina o cheque.
- Alta performance sem exaustão: a formação de equipes diversas e resilientes, fugindo da cultura de “sempre ligado” que destrói talento a longo prazo.
Credenciais que sustentam o discurso
O currículo reforça a autoridade técnica. São 13 anos de Grupo Pão de Açúcar — cinco como gerente de marketing — antes do salto para o ecossistema Boticário. Formação sólida: Administração (FAAP), Marketing (ESPM) e MBA em Gestão Estratégica (FGV).
O mercado já validou o nome. Figurou na lista das Mulheres Mais Poderosas do Brasil (Forbes), foi Profissional de Marketing do Ano pelo Propmark (2022), homenageada no Women to Watch (2023) e vencedora do Caboré (2024).
O que observar daqui para frente
A estreia coincide com um momento de redefinição do varejo e da publicidade no Brasil. A primeira coluna sai no site nesta sexta (25) e na edição impressa de sábado (26). Para o leitor que toma decisão de negócio, o recado é claro: vale acompanhar como uma das principais operadoras do consumo nacional traduz, em texto, a tensão entre tecnologia, humanidade e resultado financeiro. O primeiro artigo deve dar o tom: será diagnóstico ou manual de sobrevivência?
