Justiça

Recorde à vista: 2026 pode ter 19 governadores eleitos no 1º turno

Mapa do Brasil destaca 19 estados com possível eleição de governador no 1º turno em 2026
Projeção aponta recorde de definições estaduais já em 4 de outubro, superando marca de 2002

Até 19 estados podem conhecer o novo governador já no dia 4 de outubro, sem necessidade de segundo turno. Se confirmado, será o maior número de definições em primeira rodada desde 2002. A razão, porém, não está no humor do eleitor — e sim na estratégia de sobrevivência dos partidos.

Pesquisas divulgadas até 25 de setembro desenham um cenário sem precedentes recentes. Onze disputas têm favorito claro para vencer no primeiro turno. Outras quatro estão polarizadas entre dois nomes, com os demais tão distantes que também tendem a se encerrar dia 4. Há mais quatro estados onde a tendência recente aponta na mesma direção. A soma chega a 19, superando o recorde de 18 estabelecido em 2010.

Menos nomes na urna, mais votos concentrados

A explicação técnica é direta: a média de candidaturas por estado caiu de 8,3 em 2022 para 7,2 neste ciclo. Com menos opções na cédula, os votos migram naturalmente para os dois ou três principais concorrentes, facilitando que alguém ultrapasse a barreira dos 50% dos votos válidos.

Os onze estados com favorito consolidado para vitória imediata são:

  • Amapá
  • Goiás
  • Maranhão
  • Mato Grosso do Sul
  • Paraíba
  • Piauí
  • Roraima
  • Santa Catarina
  • São Paulo
  • Sergipe
  • Tocantins

A conta que os partidos fazem para sobreviver

Essa retração não é acidental. A cláusula de desempenho ficou mais exigente e o acesso ao Fundo Partidário e ao Fundo Eleitoral depende, cada vez mais, do tamanho da bancada na Câmara dos Deputados. Para as legendas, eleger deputados federais virou prioridade absoluta — é isso que garante dinheiro e estrutura nos quatro anos seguintes.

Uma candidatura ao governo sem chances reais consome recursos que fariam falta na chapa proporcional. Um segundo turno, então, custa ainda mais caro. O cálculo pragmático resultou em menos candidatos próprios, alianças fechadas mais cedo e concentração de verba onde o retorno é garantido. O precedente mais próximo ocorreu justamente em 2010, quando a média de candidaturas despencou para 6,2 e 18 estados resolveram a disputa na primeira rodada.

Quando o governador vai à urna, a eleição vira plebiscito

Dos nove governadores eleitos em 2022 que tentam a reeleição, cinco aparecem como favoritos a liquidar a fatura em outubro (PI, SC, SP, SE e MS). Em outros três (CE, BA e PE), a disputa está acirrada, mas polarizada, o que também permite definição no primeiro turno.

Nesses casos, a dinâmica é clara: a eleição funciona como um referendo sobre a gestão atual. Um opositor forte surge, mas o espaço para “terceiras vias” some. A exceção é o Amapá, onde a polarização existe, mas o favorito é o ex-prefeito da capital, Dr. Furlan (PSD), e não o atual governador.

Sucessão sem o titular: o peso do “merece eleger o sucessor”

Onde o governador não concorre, o termômetro decisivo não é a simples aprovação da gestão, mas a percepção de que o governo “merece fazer o sucessor”. A correlação entre esse indicador e a intenção de voto no candidato da situação é forte.

Em Goiás e na Paraíba, onde 70% ou mais do eleitorado endossam a continuidade, os candidatos governistas lideram com folga. Já em Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Amazonas, onde esse índice é baixo, a sucessão está ameaçada, a oposição entra com força e a fragmentação empurra a disputa para o segundo turno.

O caso à parte do Paraná e os perfis da oposição

O Paraná foge à regra. Lá, 65% acham que Ratinho Junior (PSD) merece eleger o sucessor, mas quem lidera é Sergio Moro (PL), com o candidato do governador, Sandro Alex (PSD), estacionado em torno de 20%.

Nos estados onde a oposição lidera, os perfis variam, mas têm base territorial consolidada:

  • Ex-prefeitos de capitais com peso próprio: João Campos (PSB/PE), JHC (PSDB/AL), Eduardo Braide (PSD/MA), Allyson Bezerra (União/RN), Lorenzo Pazolini (Republicanos/ES).
  • Lideranças ideológicas definidas: Zucco (PL) e Juliana Brizola (PDT) no RS; Cleitinho (Republicanos) e Patrus Ananias (PT) em MG.
  • Caciques estaduais tradicionais: Omar Aziz (PSD/AM).

O que observar até outubro

O recorde não está garantido. As quatro disputas acirradas dependem de oscilações mínimas para um dos lados cruzar a linha dos 50%. Em sentido oposto, Rio de Janeiro, Paraná e Espírito Santo se afastaram de uma definição no primeiro turno nas rodadas mais recentes de pesquisa.

Ainda assim, o desenho estrutural é claro: partidos mais econômicos na hora de lançar chapas majoritárias e governadores dominando as disputas onde concorrem. Para quem acompanha o xadrez eleitoral, o sinal a monitorar nas próximas semanas é a estabilidade das polarizações nos estados “na fronteira” — é ali que o número final de 19 se confirmará ou desmoronará.