Justiça

Pesquisa Quaest em SE: O recorte que explica por que a reeleição não está garantida

Gráfico da pesquisa Quaest Sergipe: Fábio Mitidieri 43%, Valmir de Francisquinho 34%, recortes mostram perda nos extremos
Pesquisa Quaest aponta Mitidieri com 9 pontos de vantagem, mas recortes revelam vulnerabilidade nos segmentos decisivos.

O governador Fábio Mitidieri (PSD) aparece com 43% das intenções de voto na nova pesquisa Quaest, nove pontos à frente de Valmir de Francisquinho (Republicanos), que tem 34%. Mas o detalhe que ninguém está comentando está nos recortes: o atual gestor perde nos dois extremos que costumam decidir eleição apertada.

O levantamento, divulgado nesta quinta-feira (24), ouviu 804 eleitores entre 20 e 23 de setembro. Margem de erro de três pontos percentuais. O número de registro no TSE é SE-09343/2026.

Onde o governador sangra votos

Mitidieri lidera entre mulheres (43% a 29%), eleitores de renda alta (51% a 34%), quem tem ensino superior (49% a 20%) e no eleitorado lulista (52% a 30%). A vantagem também aparece entre católicos (46% a 31%) e pretos (48% a 25%).

O problema surge em dois blocos específicos. No eleitorado com ensino fundamental, Valmir inverte a lógica e lidera por 40% a 38%. E no segmento que se declara “bolsonarista”, a diferença explode: 54% a 29% para o desafiante.

Some-se a isso o grupo “direita não bolsonarista”, onde Valmir também vence (41% a 32%), e o quadro fica claro: a oposição consolidou a direita sergipana.

O eleitor evangélico como termômetro

Historicamente decisivo em Sergipe, o voto evangélico mostra empate técnico: Mitidieri 41%, Valmir 39%. A margem de erro desse recorte é de oito pontos. Quem levar essa fatia leva vantagem competitiva real.

Entre evangélicos, Ricardo Marques (PL) tem 7% — o melhor desempenho dele em qualquer recorte. Isso sugere que o voto de direita não bolsonarista migra para Valmir, enquanto o bolsonarista raiz fica com o ex-prefeito de Itabaiana.

O que os 19% de indecisos e “podem mudar” significam

Oitenta e um por cento dizem que o voto é definitivo. Dezenove por cento admitem mudar até 4 de outubro. Parece pouco, mas em uma eleição com diferença de nove pontos, esses 19% equivalem a cerca de 150 mil votos — mais que o dobro da margem atual.

Onde eles estão? Concentrados no ensino fundamental (9% indecisos), na faixa dos 60+ anos (11%) e entre quem ganha até dois salários mínimos (12%). Justamente os grupos onde Valmir já é competitivo ou lidera.

Cenários para as próximas duas semanas

  • Se Mitidieri segurar o eleitorado evangélico e reduzir a sangria no fundamental, a reeleição no primeiro turno vira probabilidade alta.
  • Se Valmir avançar entre mulheres e renda baixa — onde hoje perde por 14 e 7 pontos respectivamente — a disputa vai para o segundo turno.
  • O desempenho de Ricardo Marques (estável em 5%) funciona como dreno da direita moderada. Se ele cair, Valmir herda. Se subir, Mitidieri respira.

O que observar daqui pra frente

A campanha entra na reta final com um dado inquietante: o governador lidera em quase todos os recortes sociodemográficos, mas perde nos dois que definem identidade política no Brasil atual — escolaridade baixa e identificação bolsonarista. Em 2022, essa combinação elegeu governadores de virada em três estados do Nordeste.

Para quem tem exposição a Sergipe — seja em contratos públicos, concessões ou investimento imobiliário —, a leitura prática é: a estabilidade institucional tem favoritismo, mas a janela de risco de troca de comando não fechou. O próximo levantamento, se houver, deve focar no movimento dos evangélicos e dos indecisos de renda baixa. É ali que a eleição será decidida.