Justiça

O segredo que ninguém conta: casal foragido pode ter deixado o Brasil

Polícia investiga casa em Maringá onde desenvolvedor foi encontrado morto amarrado com fita adesiva
Imóvel em Maringá onde Tamir Nadav, 46 anos, foi encontrado morto; casal suspeito pode ter fugido do país.

Um desenvolvedor de jogos nascido em Nova York foi encontrado morto, amarrado com fita adesiva, dentro da própria casa em Maringá. O casal que dividia o imóvel com ele é suspeito e pode já ter cruzado a fronteira. A polícia confirmou a hipótese de fuga internacional nesta quinta-feira.

Tamir Nadav, 46 anos, vivia no Paraná há tempos. Em 18 de setembro, o corpo foi descoberto no segundo andar do imóvel, em um cômodo trancado com cadeado. As mãos e os pés estavam imobilizados. Dois dias antes, vizinhos já relatavam cheiro forte e luzes acesas sem movimento aparente.

O rastro de dinheiro que entregou a motivação

A investigação aponta crime patrimonial. Não foi execução aleatória: os suspeitos gastaram recursos da vítima antes de desaparecer. Apenas em dois relógios, a quantia chega a R$ 10 mil. O delegado Adailton Ribeiro Júnior, que assumiu o caso, confirma que a dilapidação do patrimônio é um dos pilares da linha de investigação.

Outro detalhe chama atenção: um pacote de comida intacto sobre a mesa, abandonado às pressas. Televisão ligada, objetos espalhados, escritório revirado e computador ainda ligado. Tudo sugere saída repentina, possivelmente desencadeada pela visita de uma amiga da vítima no início de setembro.

Cronologia que expõe a frieza do plano

  • 3 de setembro: amiga vai à casa; casal diz que Tamir viajou a São Paulo. Ela desconfia e registra BO.
  • 18 de setembro: duas amigas retornam, não são atendidas. Vizinhos confirmam luzes acesas há dias e odor forte. Entregam chave à PM.
  • 24 de setembro: polícia divulga fotos de Kauã Kazahaya de Arruda (20) e Angelina Oliveira da Silva (18). Mandados de prisão por homicídio qualificado já expedidos.

O intervalo de 15 dias entre o boletim e a localização do corpo amplia a janela de fuga. A Justiça já decretou a prisão preventiva. A defesa do casal ainda não foi identificada oficialmente.

Por que a hipótese de fuga internacional ganha força

O delegado Adailton Ribeiro Júnior não descarta que Kauã e Angelina tenham deixado o território nacional. Fronteiras próximas, documentação em dia e a rapidez com que sumiram do radar reforçam o cenário. Caso confirmado, a cooperação internacional via Interpol e tratados de extradição entra em cena — processo que costuma levar meses.

O perfil da vítima adiciona complexidade: cidadão americano, profissional de tecnologia, com ativos financeiros no Brasil. A embaixada dos EUA costuma acompanhar de perto casos assim, o que pode acelerar trâmites diplomáticos.

O que observar daqui para frente

A divulgação das fotos é o movimento mais agressivo da polícia até agora. A expectativa é que denúncias anônimas via 181 ou 197 apontem paradeiro. Enquanto isso, a perícia no imóvel e a quebra de sigilo telemático dos suspeitos devem revelar rotas de fuga e possíveis cúmplices.

Para quem atua com segurança patrimonial ou gestão de risco, o caso expõe falhas na verificação de antecedentes de coabitantes e na monitoração de sinais de alerta — visitas não atendidas, cheiro incomum, movimentação financeira atípica. A investigação segue em sigilo, mas a polícia pede: qualquer pista, por menor que pareça, deve ser repassada imediatamente.