Justiça

O pacto silencioso: Tarcísio garante 2 cadeiras no STF com Flávio

Tarcísio de Freitas e Flávio Bolsonaro apertam as mãos em acordo político para indicações ao STF
Governador e senador selam pacto para divisão de quatro vagas no Supremo Tribunal Federal.

O governador Tarcísio de Freitas assegurou o direito de indicar dois ministros ao Supremo Tribunal Federal caso Flávio Bolsonaro vença a corrida presidencial de 2026. A articulação selada entre os aliados prevê a divisão das quatro vagas que surgirão no próximo mandato. Mas quem são os escolhidos e qual o peso real dessa negociação para o equilíbrio da Corte?

O tabuleiro das vagas: quatro cadeiras em jogo

O próximo presidente terá a caneta para preencher quatro das onze cadeiras do STF até 2030. A conta considera a aposentadoria compulsória aos 75 anos.

  • Luís Roberto Barroso: já deixou a presidência da Corte; vaga em aberto.
  • Luiz Fux: atinge a idade-limite em 2028.
  • Cármen Lúcia: completa 75 anos em 2029.
  • Gilmar Mendes: chega ao teto etário em 2030.

Dentro desse quarteto, metade caberia à cota pessoal de Tarcísio, segundo interlocutores da campanha. O movimento transforma o apoio do governador paulista em moeda de alto valor jurídico.

Natália Resende: a “super-secretária” técnica

O primeiro nome da lista é Natália Resende, atual secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística de São Paulo. Procuradora federal de carreira, ela carrega um currículo desenhado dentro da máquina federal.

Foi consultora jurídica do Ministério da Infraestrutura quando Tarcísio chefiava a pasta no governo Jair Bolsonaro. Antes, atuou no Programa de Parcerias e Investimentos (PPI) na gestão Michel Temer. No governo paulista, comanda a pasta que concentra grandes concessões e licenciamentos ambientais.

Em 2024, ganhou status de “super-secretária” ao coordenar o programa de reeleição do governador. O perfil é técnico, com trânsito livre em agências reguladoras e tribunais de contas.

Jorge Oliveira: a ligação militar e o TCU

O segundo indicado seria Jorge Oliveira, ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) desde 2020. A relação com Tarcísio vem de berço: ambos estudaram no Colégio Militar de Brasília.

No Planalto, Oliveira foi subchefe jurídico da Casa Civil e ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência. Antes, chefiou o gabinete de Eduardo Bolsonaro na Câmara. A indicação reforça o eixo “militar-jurídico” que marca a ala mais próxima ao clã Bolsonaro.

O discurso de campanha e o fator STF

Flávio Bolsonaro tem explorado o tema em palanque. Em agosto, cravou a promessa de quatro novos ministros “alinhados” caso eleito. A estratégia mira o eleitorado sensível à composição da Corte, transformando a pauta judicial em motor de voto.

Para o mercado e o setor produtivo, a definição antecipada de nomes reduz a incerteza regulatória. Sinaliza continuidade de uma visão mais liberal na infraestrutura e no controle de contas públicas.

O que observar daqui para frente

A formalização dos apoios e a eventual transição em 2027 ditarão o ritmo das sabatinas no Senado. A resistência de bancadas de centro e oposição pode alongar o processo, mas a aliança Tarcísio-Flávio já desenha o mapa de poder para a próxima década no Judiciário. Acompanhe a tramitação das indicações no CCJ e o comportamento dos votos nas ADIs de impacto econômico — é ali que a teoria encontra a prática.