Meio Ambiente

O freio invisível no boom da Paraíba: lixo, escuridão e o plano para virar o jogo

Ruas de João Pessoa com lixo acumulado e postes apagados mostrando negligência urbana
O contraste entre o boom imobiliário e a negligência básica nas ruas da capital paraibana.

O candidato ao governo da Paraíba pelo DC, Pedro Coutinho, colocou a coleta de lixo regular e a troca de lâmpadas em postes no centro do debate eleitoral, argumentando que a negligência básica trava o avanço do turismo e da construção civil em João Pessoa. A promessa não é apenas estética: ruas escuras e acúmulo de resíduos, segundo ele, alimentam a criminalidade e repelem investidores num momento de alta do mercado imobiliário local.

O custo invisível da negligência urbana

Durante entrevista à TV Cabo Branco, Coutinho foi direto ao ponto: a capital paraibana vive um “bom momento” econômico, mas a infraestrutura elementar não acompanhou o ritmo. O diagnóstico aponta que a precariedade na iluminação pública atua como vetor de insegurança, criando um ciclo vicioso que afasta o turista e desvaloriza ativos imobiliários.

Para o setor produtivo, a equação é simples. Sem segurança percebida, a ocupação hoteleira cai; com ruas sujas, a atratividade de empreendimentos de alto padrão diminui. O candidato classifica a intervenção como “básica”, mas de impacto sistêmico imediato.

Setores em risco: construção civil e imobiliário na mira

A indústria da construção civil e o mercado imobiliário são citados nominalmente como os maiores prejudicados pela manutenção do status quo. A expansão imobiliária na orla e em bairros nobres exige contrapartidas urbanas que, atualmente, não estão sendo entregues.

  • Turismo: Queda no fluxo de visitantes noturnos e redução da permanência média.
  • Imobiliário: Desvalorização de metros quadrados em áreas mal servidas.
  • Segurança: Correlação direta entre pontos cegos de iluminação e índices de roubo a pedestres.

A aposta no “básico” como estratégia de crescimento

A proposta foge de megaprojetos e foca na execução imediata de serviços essenciais. A lógica defendida é a de que corrigir a coleta de resíduos e modernizar o parque de iluminação — trocando lâmpadas antigas por LED, por exemplo — gera retorno rápido de imagem e funcionalidade.

Esse movimento sinaliza ao mercado que a gestão estadual pretende atuar de forma supletiva na capital, assumindo responsabilidades que, constitucionalmente, são municipais, mas que impactam diretamente a arrecadação estadual via ICMS e IPVA de setores aquecidos.

O que observar daqui para frente

A viabilidade do plano depende da articulação política com a prefeitura de João Pessoa e da destinação orçamentária estadual para obras de competência municipal. Investidores e empresários devem monitorar como a proposta será detalhada no plano de governo oficial: se haverá linhas de crédito específicas, parcerias público-privadas (PPPs) para iluminação ou repasses diretos ao fundo municipal de saneamento. A capacidade de execução nos primeiros 100 dias de eventual mandato será o termômetro real para quem aposta no ciclo virtuoso da construção e do turismo na Paraíba.