Economia

O case de ativação da Rede Amazônica: como engajar milhares de pessoas de graça

Multidão no estacionamento do Studio 5 durante evento Verão Amazônico da Rede Amazônica em Manaus
Público lotando o Verão Amazônico no Studio 5, zona Sul de Manaus, em domingo de programação gratuita

Neste domingo (27), o estacionamento do Studio 5, na zona Sul de Manaus, funciona como um laboratório a céu aberto de engajamento de massa. A Rede Amazônica executa mais uma edição do “Verão Amazônico”, das 8h às 19h, com uma estrutura operacional que muitas feiras de negócios pagas invejariam. A pergunta central para o mercado: como transformar serviço público gratuito em ativo de marca mensurável?

A engenharia por trás da gratuidade

O evento não é filantropia isolada; é uma máquina de brand experience calibrada. A organização confirma mais de dez frentes de ativação simultâneas, todas sem custo para o visitante final. A conta fecha via ecossistema de parceiros: instituições e empresas ocupam o espaço para acessar um público qualificado em lazer, enquanto a emissora consolida seu posicionamento de “media company” integrada à rotina da capital.

Criado em 2023, o projeto já entrou no calendário oficial da empresa e serviu como pilar das comemorações dos 54 anos da emissora, completados em setembro. A longevidade do formato sinaliza retorno sobre investimento (ROI) de reputação e audiência — métricas que o marketing tradicional disputa a peso de ouro.

Programação: dados, fluxo e retenção

A grade horária revela uma estratégia clara de gestão de fluxo. O dia começa cedo, às 8h, com yoga e atividades de baixo impacto, capturando o público “saúde e bem-estar”. O pico de energia ocorre no fim da tarde, entre 16h e 19h, com DJ Marcelo Cretina e o show principal de Márcia Novo, acompanhada por Vanessa Alfaia e os Tripinhas Mirins dos bois Caprichoso e Garantido.

O intervalo programado ao meio-dia não é ocioso: desloca a atenção para as ativações de marca, praça de alimentação (gelato, picolé, algodão-doce) e serviços práticos, como limpeza ultrassônica de óculos. É cross-selling orgânico.

  • 8h–12h: Bem-estar (Yoga, Power Jump, Pilates, Fit Dance) — captação de público formador de opinião.
  • 12h–16h: Experiências interativas, leitura, serviços e ativações de patrocinadores — tempo de permanência.
  • 16h–19h: Entretenimento de massa (DJ + Show cultural) — pico de alcance e compartilhamento social.

Parceiros: onde o B2B encontra o B2C

Para o investidor ou gestor de marcas, o detalhe mais relevante está na lista de “serviços invisíveis”. Distribuição de água, vouchers, espaço inflável infantil, muay thai e funcional para crianças. Cada ponto de contato é uma oportunidade de lead generation qualificada: pais com filhos, público fitness, idosos em atividades de low impact.

A presença de mesas de pingue-pongue e pebolim não é recreação aleatória; aumenta o dwell time (tempo de permanência), métrica crítica para validação de patrocínio. Quem fica mais tempo, consome mais ativações e gera mais dados para os parceiros comerciais.

O efeito calendário: aniversário como gancho estratégico

Vincular o projeto ao aniversário de 54 anos da emissora não foi coincidência. Datas comemorativas funcionam como gatilhos de relevância para imprensa, poder público e mercado anunciante. O “Verão Amazônico” deixa de ser um evento sazonal para virar case institucional, blindando a verba de marketing contra cortes de custeio — afinal, corta-se evento, não se corta “comemoração de aniversário da empresa”.

O que observar daqui para frente

A edição deste domingo serve como benchmark para qualquer player que dependa de licença social para operar na região. Observe três variáveis nas próximas edições: a taxa de conversão de vouchers distribuídos em vendas reais para parceiros; a captação de dados de contato via experiências interativas (leitura, saúde); e a ampliação do horário de shows para competir com a programação noturna da cidade. Quem domina a agenda de lazer gratuito, dita a pauta do consumo local.