O cantor e ator sul-coreano Lee Jin-hyuk subiu ao palco do Imagineland 2026 em Campina Grande com um presente inédito: duas composições originais inspiradas no Brasil, executadas pela primeira vez diante de plateia lotada no Agreste paraibano.
O artista, que integrava o grupo UP10TION antes de seguir carreira solo em 2019, não escondeu a surpresa com a receptividade local. Em coletiva, admitiu não saber “como chegou até aqui”, mas creditou o feito ao carinho dos fãs brasileiros — um termômetro do avanço da cultura coreana no interior do Nordeste.
Do K-pop ao forró: a geografia inesperada do hallyu
Campina Grande, conhecida mundialmente pelo Maior São João do Mundo, recebeu pela segunda vez consecutiva o festival que mistura quadrinhos, games, séries e música pop asiática. O Centro de Convenções abrigou mais de 13 mil metros quadrados de programação, mobilizando cerca de 600 profissionais apenas na edição anterior.
Lee Jin-hyuk não foi o único nome internacional. O elenco de High School Musical — Corbin Bleu, Monique Coleman e Lucas Grabeel — celebrou 20 anos da franquia aprendendo passos de forró nos bastidores. Zach Roerig (The Vampire Diaries), Walter Jones (Power Rangers original) e Lera Abova (One Piece: A Série) completaram a lista de convidados globais.
Estratégia de mercado: por que o interior importa
A escolha por Campina Grande não é aleatória. O evento On The Road — versão itinerante do Imagineland — testa a viabilidade econômica de grandes festivais pop fora dos eixos Rio-São Paulo. Dados da edição 2025 mostram ocupação hoteleira máxima e injeção direta na economia de serviços, alimentação e transporte local.
- 160+ horas de programação em três dias
- 2ª edição consecutiva no mesmo centro de convenções
- Atrações nacionais e internacionais simultâneas
- Público misto: fãs de doramas, gamers, cosplayers, colecionadores
Para produtores e investidores, o caso demonstra que nichos culturais antes restritos a capitais agora geram demanda real em cidades médias — desde que a logística e a curadoria atendam às expectativas de comunidades digitais altamente organizadas.
O fator confiança: relato humano por trás do fenômeno
Em momento raro de vulnerabilidade, Lee Jin-hyuk descreveu-se como alguém “difícil de confiar nas pessoas”, mas reconheceu ter se sentido “mais acolhido no Brasil”. A declaração, longe do discurso promocional padrão, revela como a conexão emocional sustentou a expansão comercial do K-pop no país — hoje um dos maiores mercados consumidores de cultura coreana fora da Ásia.
O artista pediu que fãs se sintam à vontade para abordá-lo, apesar do nervosismo admitido. A sessão de autógrafos e o show com músicas inéditas funcionaram como prova de conceito: o público brasileiro não apenas consome, mas influencia a produção artística do outro lado do mundo.
O que observar nos próximos ciclos
A permanência do Imagineland no Agreste sinaliza maturação de um circuito de eventos que antes era sazonal e concentrado. Se a edição 2026 mantiver ou superar os indicadores de ocupação e gasto médio do ano anterior, a tendência é que mais players — de streaming a marcas de consumo — direcionem verbas para ativações regionais.
Para quem monitora o mercado de entretenimento ao vivo, o recado é claro: a próxima fronteira não é geográfica, mas comportamental. Comunidades de fãs bem estruturadas ditam onde o capital deve aportar — e Campina Grande acaba de provar que está no mapa.
