Incêndios destruíram lavouras prontas para colheita em três municípios goianos, deixando um rastro de prejuízos milionários e danos ao solo que podem durar até seis anos. O caso mais grave ocorreu em Montividiu, onde 250 hectares de milho viraram cinzas.
Mas o impacto vai além da safra perdida: a palhada que protegia a terra também queimou, comprometendo a produtividade futura. Entenda o que está em jogo.
O que aconteceu nas três frentes de fogo
Em Montividiu, as chamas consumiram uma plantação de milho no ponto de colheita. O produtor calcula R$ 2,5 milhões em perdas diretas. Em outra fazenda do município, o fogo pulou uma rodovia e destruiu a palha seca — cobertura essencial para manter umidade e matéria orgânica no solo.
Já em Mineiros, vídeos gravados durante o incêndio mostram produtores pedindo ajuda enquanto o milho queimava. Em Pontalina, uma usina teve canavial atingido.
O efeito invisível: solo exposto por até seis anos
Vanderlei Secco, produtor em Montividiu, havia acabado de colher quando o fogo chegou. A palhada que restou — proteção natural contra erosão e perda de umidade — virou cinza.
“Nós vamos ter aí no mínimo de três a seis anos com redução de produtividade.”
Antonio Carlos Grandi viu o fogo cruzar a rodovia e atingir até o equipamento de irrigação. “Não dá tempo, é muito rápido”, relatou.
O cenário nacional por trás dos números
Os casos em Goiás não são isolados. Dados do MapBiomas revelam que, apenas no primeiro semestre deste ano, uma área de agricultura maior que a cidade de São Paulo foi queimada no Brasil.
Em 2024, o período crítico (junho a agosto) registrou:
- 2,8 milhões de hectares queimados em propriedades rurais — equivalente ao estado de Alagoas
- Prejuízos estimados em quase R$ 15 bilhões, segundo a Confederação Nacional da Agricultura
O aperto financeiro do produtor
Bruno Brais perdeu 160 hectares de palhada e parte da produção de milho. O timing piora a situação: o custo de produção segue alto enquanto o preço da commodity está pressionado.
“O produtor já vem tendo uma certa dificuldade com seus custos de produção, com preço baixo da commodity de milho. Agora vem o prejuízo das queimadas”, resumiu.
O que observar daqui para frente
A combinação de seca prolongada, custos elevados e perdas recorrentes de palhada cria um ciclo perigoso: solo degradado exige mais insumos, que encarecem a safra seguinte, reduzindo margens já apertadas. Monitorar a recuperação dessas áreas — e se haverá suporte oficial para recomposição de matéria orgânica — será decisivo para saber se o prejuízo de 2025 vira crise estrutural nos próximos anos.
