Seis candidatos oficializaram candidatura ao Palácio Paiaguás para outubro, mas o verdadeiro peso da eleição está nos 2,6 milhões de eleitores aptos a votar — um contingente que define não só o próximo governador, mas a direção da economia agroindustrial do Centro-Oeste nos próximos quatro anos.
O primeiro turno acontece em 4 de outubro. Se ninguém passar de 50% dos votos válidos, o segundo turno está marcado para 25 de outubro. O cenário aberto coloca em xeque a continuidade da atual gestão e abre espaço para propostas que vão da segurança pública à renegociação de incentivos fiscais.
Quem são os seis nomes na urna
A lista, em ordem alfabética pelo nome de urna, reúne perfis distintos: do vice-governador que busca a titularidade a outsiders sem mandato prévio.
- Doutora Natasha (Natasha Slhessarenko Fraife Barreto) — coligação “Mato Grosso para Todos”
- Mauricio Coelho (Mauricio Coelho de Souza Junior) — partido Mobiliza
- Otaviano Pivetta (Otaviano Olavo Pivetta) — coligação “Mato Grosso não Pode Parar”
- Rafaell Milas (Rafaell Milas de Oliveira) — partido Missão
- Sargento Laudicério (Laudicério Aguiar Machado) — partido Agir
- Wellington Fagundes (Wellington Antonio Fagundes) — coligação “Coração da Gente”
Pivetta carrega a máquina da atual gestão como vice-governador. Fagundes traz bagagem de Senado e Ministério. Os demais apostam na rejeição ao establishment para furar a polarização.
O retrato do eleitorado que vai decidir
Dos 2.638.230 eleitores aptos, 51% são mulheres e 49%, homens. A composição racial revela um estado majoritariamente pardo: 59,85% declararam-se pardos, 27,16% brancos, 10,21% pretos, 2,17% indígenas e 0,62% amarelos.
Esse recorte não é detalhe demográfico. Campanhas que ignoram a maioria parda e a força do voto feminino tendem a errar o tom nas propostas de saúde, educação e segurança — temas que puxam a decisão nas periferias de Cuiabá, Várzea Grande e no interior agrícola.
O que está em jogo além do cargo
O governador de Mato Grosso comanda um orçamento que supera R$ 30 bilhões anuais e detém a caneta sobre incentivos fiscais que movem o agronegócio, a logística de grãos e a atração de indústrias de transformação.
Também define o rumo da segurança pública em um estado que faz fronteira com Bolívia e Paraguai — rota estratégica do narcotráfico — e gerencia a relação com Brasília na renegociação da dívida estadual e na divisão de royalties do petróleo.
No Legislativo, a eleição carrega 24 deputados federais, 3 senadores (duas vagas em 2026) e 24 deputados estaduais. A composição das bancadas define a governabilidade de quem sentar na cadeira principal.
Cenários para o segundo turno
Com seis candidatos, a fragmentação do voto no primeiro turno é quase certa. As pesquisas de intenção de voto — ainda incipientes — sugerem três agrupamentos: a base governista em torno de Pivetta, o voto de oposição estruturada com Fagundes, e o eleitor flutuante que pode migrar para candidaturas de nicho (segurança, saúde, outsider).
Se o segundo turno confirmar a polarização entre continuidade e mudança, o debate deve girar em torno de dois eixos: a manutenção dos incentivos fiscais ao agro versus a pressão por mais investimento social, e o endurecimento na segurança pública versus políticas de prevenção e direitos humanos.
O que observar daqui para frente
O calendário eleitoral dita os próximos passos: propaganda no rádio e TV começa em 30 de agosto; debates televisionados costumam concentrar a atenção a partir de meados de setembro. Acompanhe a evolução das pesquisas registradas no TSE — elas sinalizam se a fragmentação se mantém ou se há movimento de voto útil antecipado. Para quem investe ou opera no estado, o termômetro real não está nos comícios, mas na leitura que o mercado faz das propostas de gestão fiscal e segurança jurídica apresentadas nos programas de governo, disponíveis no site do TRE-MT a partir do registro das candidaturas.
