Economia

Desenrola 3.0: governo vai leiloar R$ 150 bi em dívidas com desconto de até 90%

Ilustração do programa Desenrola 3.0: leilão de R$ 150 bi em dívidas com até 90% de desconto, governo e bancos negociando
Governo lança Desenrola 3.0 para leiloar R$ 150 bi em dívidas antigas com descontos de até 90%, com apoio da Febraban.

A Febraban (Federação Brasileira de Bancos) endossou o novo programa de renegociação de dívidas lançado na sexta-feira (25), sinalizando que a medida pode destravar o fluxo de crédito ainda este ano. A entidade representa as instituições que deterão o estoque alvo da operação.

O governo pretende adquirir, via leilão em novembro, carteiras de inadimplência antiga — entre dois e quatro anos e meio de atraso — com verba de até R$ 15 bilhões. O lance vencedor será o que oferecer o maior abatimento, podendo chegar a 90% do valor original.

Como o leilão vai mexer no balanço dos bancos

A dinâmica inverte a lógica tradicional: em vez de o devedor negociar direto com o credor, o Tesouro entra como comprador do título podre. Os bancos recebem à vista (com desconto) e saem da operação; o governo assume a cobrança e repassa o benefício ao consumidor.

Estão elegíveis dívidas de cartão de crédito (parcelado e rotativo) e empréstimos pessoais não consignados. Consignados, financiamentos imobiliários e rurais ficam de fora.

  • Teto de dívida por CPF: R$ 10 mil
  • Orçamento total: R$ 15 bilhões
  • Estoque potencial: R$ 150 bilhões
  • Meta de renegociação efetiva: R$ 75 bilhões
  • Desconto máximo no leilão: 90%

Por que a adesão voluntária muda o jogo

A Febraban destacou três pilares: voluntariedade, respeito às condições de mercado e foco em passivos antigos. Na prática, isso significa que nenhum banco será forçado a vender — apenas os que considerarem o preço atrativo farão a oferta.

Isso reduz o risco de distorção de preços em carteiras mais recentes e preserva a relação cliente-banco nos contratos em dia. A entidade vê o desenho como “emergencial e focalizado”, não estrutural.

O gargalo que ainda pode travar o resultado

A projeção de R$ 75 bilhões renegociados assume adesão parcial dos dois lados. Historicamente, programas semelhantes esbarram na dificuldade de localizar devedores com endereço desatualizado ou na recusa de quem já negociou informalmente com escritórios de cobrança.

Outro ponto: o leilão ocorre em novembro, mas o dinheiro só chega ao consumidor depois que o governo estruturar a plataforma de atendimento. O prazo real de alívio no bolso pode se estender para o primeiro trimestre de 2027.

O que observar nas próximas semanas

Dois indicadores vão ditar o sucesso: a taxa média de desconto ofertada pelos bancos no leilão (quanto mais alta, menor o volume de dívidas compradas) e a taxa de comparecimento dos devedores à plataforma federal. Se o desconto médio ficar na casa dos 60-70%, o R$ 15 bilhões rende mais volume; se subir para 85-90%, o alcance cai pela metade.

Para quem tem dívida enquadrada, a recomendação prática é: não procure o banco agora. Aguarde o edital do leilão e a abertura do canal oficial — é lá que o desconto de até 90% será aplicado, sem intermediação de terceiros.