Economia

Debate ao Senado em SC: o que os 5 candidatos disseram sobre economia e infraestrutura

Cinco candidatos ao Senado por Santa Catarina em debate televisionado na NSC TV discutindo economia e infraestrutura
Candidatos ao Senado por SC debatem economia e infraestrutura no primeiro debate televisionado da NSC TV.

Cinco candidatos ao Senado por Santa Catarina subiram ao palco da NSC TV na sexta-feira (25) para o primeiro debate televisionado da disputa. O encontro durou três blocos temáticos e considerações finais, cobrindo corrupção, crime organizado, economia e infraestrutura — eixos que definem o ambiente de negócios no estado nos próximos oito anos.

Para empresários e investidores, a eleição de outubro não é apenas escolha partidária: define quem votará reformas tributárias, marco regulatório de portos e destinação de emendas de bancada. O debate expôs diferenças táticas entre nomes com mandato anterior e estreantes na corrida majoritária.

Quem estava no palco e o que cada um representa

A ordem alfabética definiu a disposição dos candidatos: Afrânio Boppré (PSOL), Décio Lima (PT), Esperidião Amin (PP), Jeferson Rocha (PRD) e Lunelli (MDB). Três carregam histórico em gestão pública estadual ou federal; dois estreiam em disputa majoritária.

  • Esperidião Amin (PP): ex-governador (1999–2003), senador desde 2019, base no agronegócio e prefeituras do interior.
  • Décio Lima (PT): ex-prefeito de Blumenau (2009–2017), deputado federal por três mandatos, alinhamento ao governo Lula.
  • Lunelli (MDB): empresário do setor têxtil, ex-prefeito de Jaraguá do Sul (2017–2022), apoia governo estadual de Jorginho Mello.
  • Afrânio Boppré (PSOL): professor, ex-deputado estadual, discurso focado em direitos sociais e fiscalização.
  • Jeferson Rocha (PRD): delegado da Polícia Federal, estreia em eleição majoritária, bandeira segurança pública.

Economia: três visões para o mesmo problema

O bloco central dedicou cerca de 20 minutos a desenvolvimento regional, incentivos fiscais e geração de emprego. Amin defendeu manutenção de benefícios ao setor produtivo e desburocratização de licenciamentos ambientais. Décio Lima propôs fundo estadual de inovação com recursos da União e prioridade a pequenas indústrias. Lunelli, na condição de empresário, cobrou previsibilidade tributária e redução do custo Brasil logístico.

Boppré condicionou incentivos a contrapartidas sociais e ambientais mensuráveis. Rocha vinculou segurança jurídica ao combate ao crime organizado que atua em portos e fronteiras — argumento que reapareceu no bloco seguinte.

Infraestrutura: portos, ferrovias e o gargalo logístico

Santa Catarina movimenta 22% da carga portuária brasileira, mas depende de rodovias saturadas. Amin citou a duplicação da BR-101 e a Ferrogrão como prioridades de bancada. Décio Lima mencionou parceria com o PAC federal para dragagem de Itajaí e São Francisco do Sul. Lunelli cobrou modelo de concessão que atraia capital privado sem onerar tarifas.

O debate expôs um ponto de convergência raro: os cinco concordaram que a BR-280, no Norte do estado, precisa de cronograma executável e recursos carimbados — obra parada há mais de uma década.

Corrupção e crime organizado: o tom de delegado vs. o tom de gestor

Rocha, único delegado federal na disputa, centrou falas na estruturação de inteligência policial interestadual e cooperação com Paraguai e Argentina. Amin respondeu com exemplos de leis aprovadas no Senado para endurecer lavagem de dinheiro. Décio Lima defendeu controle social de emendas parlamentares. Boppré propôs transparência radical em contratos públicos. Lunelli citou caso de Jaraguá do Sul: integração entre guardas municipais e polícias reduziu índices em 34% em quatro anos.

O que observar até outubro

Pesquisas internas de partidos indicam disputa polarizada entre Amin e Décio Lima, com Lunelli buscando espaço no eleitorado de centro-direita não alinhado ao bolsonarismo. Boppré e Rocha tendem a cumprir papel de puxadores de voto de legenda e pautas de nicho.

Três datas movem o cenário: 16 de agosto (início da propaganda no rádio e TV), 30 de setembro (último debate antes do primeiro turno) e 6 de outubro (votação). Empresários com interesses em SC devem monitorar: posicionamento sobre reforma tributária no Senado, voto em indicações de agências reguladoras e destinação de emendas de bancada para logística portuária.

O debate na íntegra está disponível no portal da NSC TV, separado por blocos e considerações finais — material de referência para quem precisa antecipar cenários regulatórios no estado.