Economia

Bilionário de MS fecha o cerco: 21 lojas do Carrefour por R$ 360 mi…

Logo do Comper e Carrefour com setas indicando aquisição de 21 lojas por R$ 360 milhões
Grupo Pereira expande Comper para SP com compra de 21 unidades do Carrefour por R$ 360 mi

O Grupo Pereira protocolou no Cade a compra de 21 supermercados do Carrefour Brasil por aproximadamente R$ 360 milhões. A operação redesenha o tabuleiro do varejo alimentar em duas praças estratégicas e coloca a bandeira Comper, pela primeira vez, no Estado de São Paulo.

Mas o valor do cheque é apenas a ponta do iceberg. A movimentação revela como um player regional está ditando o ritmo da consolidação nacional enquanto o gigante francês encolhe.

O mapa da operação: São Paulo e Distrito Federal no alvo

Das 21 unidades envolvidas, 15 ficam em solo paulista e seis no Distrito Federal. Não há ativos de Mato Grosso do Sul no pacote. A transação foi confirmada pelas duas partes e já tramita no Conselho Administrativo de Defesa Econômica, etapa obrigatória antes de qualquer troca de chaves.

Até a aprovação final, as lojas continuam sob gestão do Carrefour. O fechamento depende do cumprimento de condições precedentes padrão, incluindo o aval regulatório sem restrições.

Por que o Carrefour está vendendo agora?

A venda não é um movimento isolado. Ela insere-se num plano amplo de reorganização do grupo francês no Brasil, que tem priorizado o formato de atacarejo — a bandeira Atacadão — em detrimento do supermercado tradicional.

Em comunicados recentes, a matriz brasileira reforçou o foco em revisão de custos, despesas e ganhos de eficiência operacional. Desfazer-se de ativos que não se encaixam no “core business” do momento libera capital e simplifica a estrutura.

O xeque-mate do Comper no Plano Piloto

Para o Grupo Pereira, a aquisição tem endereço certo: o Distrito Federal. A companhia já opera seis unidades do Fort Atacadista na capital federal. Com as seis lojas do Carrefour, a bandeira Comper saltaria para dez pontos de venda, concentrados em áreas nobres como Asa Sul, Asa Norte e Lago Sul.

É uma expansão orgânica instantânea em praça de alto poder aquisitivo, onde construir do zero levaria anos e custaria caro em licenças e ponto comercial.

  • Entrada no varejo paulista: O Comper estreia em SP; o grupo já atuava no estado apenas com Atacado Bate Forte, Fort Atacadista e Farmácia SempreFort.
  • Consolidação no DF: Dobra de tamanho na bandeira de supermercado na capital federal.
  • Sinergia logística: Integração com centros de distribuição existentes nas duas regiões.

Quem comanda a expansão de 64 anos

À frente do grupo está Beto Pereira, único sul-mato-grossense na lista de bilionários da Forbes 2026, com patrimônio estimado em R$ 3 bilhões (posição 136 no ranking nacional). A companhia, fundada há 64 anos, opera em sete unidades da federação: MT, MS, GO, SC, SP, RS e DF.

O portfólio mistura varejo (Comper), atacarejo (Fort Atacadista, Bate Forte) e farma (SempreFort). Essa diversificação amortece ciclos econômicos e financia aquisições pontuais como a atual sem comprometer a alavancagem.

O que observar daqui para frente

A análise do Cade será o termômetro. O órgão costuma exigir remédios antitruste — como venda de lojas sobrepostas — quando a concentração local ultrapassa limites de mercado relevante. Dado que Carrefour e Comper têm perfis distintos (hipermercado x supermercado premium), a tramitação tende a ser fluida, mas prazos regulatórios são imprevisíveis.

Enquanto isso, o varejista de Campo Grande ganha tempo para planejar a conversão de layout, sistemas e sortimento. Para o mercado, o recado está dado: a consolidação não vem só dos grandes centros; ela parte do Centro-Oeste com cheque na mão e estratégia clara.